Eleições 2022: a representatividade da juventude e das minorias nas candidaturas da Bahia
por: Murilo Trindade e Patrick Oliveira

Na reta final da campanha, Anderson se mostra confiante e engajado com as eleições. Foto: Murilo Trindade
No próximo dia 02 de outubro ocorre o 1° turno das eleições gerais de 2022. O voto é um direito e dever do cidadão, e conhecer as propostas e valores dos seus candidatos também é muito importante. Sendo assim, convidamos o candidato a Deputado Estadual Anderson Rocha pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), conquistense de 23 anos, ativista político e representante da comunidade LGBTQIA+, para uma entrevista sobre suas propostas, ideais políticos e desafios de campanha.
EXTRA!Ordinário: Candidato Anderson, caso seja eleito, qual será a prioridade do seu mandato?
Anderson Rocha: Nós já sabemos onde queremos chegar, que é a redução das desigualdades, e reduzir essas desigualdades é: educação como prioridade; gerar oportunidades de emprego e renda e oferecer perspectivas de futuro, principalmente para a nossa juventude. Vamos valorizar pessoas que querem seguir na área da cultura e dar oportunidade para os artistas. Atrair indústrias e investimentos para as regiões do estado. Ampliar o acesso à tecnologia e fortalecer os cursos de base tecnológica do estado, como o de Sistema de Informação que temos no IFBA de Vitória da Conquista.
EXTRA!Ordinário: Candidato você defende ideias do que chamam de “nova-política”. Você acredita que essa “nova política” realmente existe ou ainda é um mito na Bahia?
Anderson Rocha: Não existe a nova política, só existe uma forma de fazer política. A gente tem que combater o mau uso dela, com aquelas velhas práticas. A boa política é: pensar o problema, pensar a solução, e como vou chegar nisso? Conversando com as pessoas, olho no olho, debatendo ideias, fazendo campanha por projetos e com esperança e não com ódio como está sendo hoje. Nos debates políticos hoje, a gente observa, pessoas agredindo os outros em questões pessoais. Hoje a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, estão sendo preenchidas por pessoas que estão “pongando” em um marketing político, criado pela polarização. Nós vemos políticos em grupos com pautas conservadoras, mas às vezes a pessoa nem é conservador, faz isso só pra se promover, alcançar a popularidade e ser eleito. O termo nova política é equivocado.
EXTRA!Ordinário: Você começou sua vida política filiado ao MDB do ex Prefeito Herzem Gusmão. O que o levou a troca de partido pelo PDT?
Anderson Rocha: Primeiramente eu abri mão de muita coisa, porque dentro do MDB eu tinha uma relação com o partido, nacionalmente em Brasília e em Vitória da Conquista, onde Herzem era líder e defendia nosso partido. Porém, entre esses polos havia Salvador, a estrutura partidária do estado, e essa equipe não queria dar oportunidade para a gente, tive muita insistência para conseguir o espaço e desenvolver um projeto político dentro do MDB. Os membros do partido do interior não foram inseridos nas articulações políticas de 2022. Colocaram ditadores, caciques que não largam o partido de jeito nenhum e tomam decisões autoritárias. Houve um esvaziamento do partido no estado e os movimentos políticos foram suprimidos. Por um projeto de poder local, que pertence a um grupo de 5 pessoas no máximo, o MDB se vendeu ao PT. Eu fui para o PDT, foi um partido que abriu as portas para mim, confiou na nossa articulação e minha campanha está nas ruas.
EXTRA!Ordinário: Anderson, você como representante do movimento LGBTQIA+, que projetos apresentará para esse grupo, se eleito?
Anderson Rocha: A pauta LGBT precisa avançar no interior também, com um centro de referência social, psicológica e jurídica, que ajude essa população, e também capacitar o serviço público para prestar esse atendimento. Precisamos de cursos profissionalizantes voltados para a comunidade, para inserir essas pessoas, principalmente as trans, no mercado de trabalho. Inclusive, o nosso candidato a Governador ACM Neto ( União Brasil) apresentou, no projeto de governo, uma série de propostas para nossa comunidade. Eu vou brigar pelo fomento da cultura e turismo aqui na Bahia. Salvador é referência em turismo LGBT, e pode ser implantado e difundido também em Vitória da Conquista.
EXTRA!Ordinário: Ainda falando sobre diversidade, você disse que ACM Neto foi o candidato que fez propostas para a população LGBTQIA+, porém a gente sabe que principalmente na Bahia, é uma pauta muito ligada ao PT (Partido dos Trabalhadores). Você acha que se você fosse filiado ao PT teria mais verba e apoio para essa candidatura? E futuramente você se vê filiado a esse partido?
Anderson Rocha: Eu não. Não vejo isso, porque essas pautas não deveriam pertencer a um partido político, que se apropriam disso. Muitas pessoas têm me questionado isso “Anderson porque você não está no PT?”, mas essa é uma pauta que é de todos os partidos. Dentro do próprio PT existem pessoas preconceituosas, e mesmo estando há 16 anos no governo da Bahia, o estado continua sendo um dos mais perigosos para essa população.
EXTRA!Ordinário: Agora depois de todas as perguntas, queremos que você diga o que é “fazer política” em sua opinião e as considerações que você coloca para as eleições do dia 02 de outubro.
Anderson Rocha: Fazer política é melhorar a qualidade de vida das pessoas, é cuidar da nossa sociedade, é fazer desenvolvimento na nossa nação e deixar isso para as próximas gerações. Um país desenvolvido, ético, onde as pessoas possam ter um sonho, o direito de sonhar e realizá-los. A política foi bastante banalizada, a nossa campanha tem um diferencial, nós estamos conversando com as pessoas olho no olho, praticando a boa política, contra o sistema que está viciado pela má política.

