De caloura à repórter da TV Sudoeste
por: Liss Tauane, Natan Pires e Rodrigo Azevedo

Nayla logo após a apresentação do jornal Bahia Meio Dia. Foto: Nayla Gusmão
Ingressar no mercado de trabalho na sua área de formação tem sido um desafio para muitas pessoas. Encontrar durante a jornada acadêmica a sua vocação é um processo de autodescoberta e requer coragem para encarar os desafios da caminhada. Para entender melhor desse processo, vamos conversar com Nayla Gusmão, que atualmente é repórter da TV Sudoeste, afiliada da Rede Globo com maior audiência do Brasil, onde ela conta pra gente um pouco da sua caminhada de caloura de jornalismo da UESB, à repórter da TV local.
EXTRA!Ordinário: Nayla, a nossa primeira pergunta é: qual a história do seu nome?
Nayla Gusmão: Ah! O meu nome está diretamente relacionado ao jornalismo, né? Minha mãe, quando estava grávida de mim, viu o meu nome numa reportagem do Jornal Nacional; uma entrevistada se chamava Nayla, ela procurou o significado na internet, gostou, “vai ser esse o nome da minha filha”. E ai estou com a minha história no jornalismo desde a barriga da minha mãe. (risos)
EXTRA!Ordinário: Quando você decidiu ser jornalista?
Nayla Gusmão: Não foi um sonho de infância, não! Foi um processo de descoberta, eu já tinha tino para a comunicação, era extrovertida desde a infância. Mas é no Ensino Médio mesmo, que bate a realidade, daqui três anos eu vou terminar e preciso saber como é que vai ser minha vida daqui pra frente. Então, no ensino médio foi uma escolha muito, muito racional mesmo, me perguntei, quais as profissões que eu me identifico? E eu falei, não, espera aí, deixa eu parar para pensar, o que que eu tenho afinidade, quais são as minhas áreas de interesse. Eu não tinha como nem ir pra saúde, nem ir pra exatas, seria algo dentro de humanas. E aí eu alinhei, comunicação, eu acho que é isso aqui, é comunicação, é jornalismo, eu acho que tem tudo a ver comigo.
EXTRA!Ordinário: Como era a Nayla no terceirão, vestibulanda?
Nayla Gusmão: Ah, conversadeira como hoje. Eu era muito ativa, no terceiro ano eu já era bem isso que eu sou hoje, eu me dedicava muito a trabalhos que eram seminários, tudo que era pra explicar, pra falar, pra estar na frente, eu gostava muito. Sempre tive essa afinidade com auditório, com plateia, sempre foi um ambiente de conforto para mim. Eu odiava prova! Me colocar dentro de uma caixinha não funcionava.
EXTRA!Ordinário: Você fala muito sobre essa coisa de se perceber, se conhecer. Você identificou essas características que eram pontos fortes em você. Você diria que é necessário ser um pouco mais racional no ensino médio para que esse estudante, futuro calouro, tenha consciência do que escolher?
Nayla Gusmão: Ah, sem dúvidas. É um processo de autoconhecimento extremamente necessário para os alunos que estão no ensino médio. Hoje eu percebo até uma atenção maior das escolas com psicopedagogos e psicólogos nesse processo, porque eu vou ser sincera, o nosso modelo de ensino exige algo de nós muito sério para pessoas tão novas. Com 17 anos eu já estava na faculdade. Então assim, com 16 anos de idade eu teria de definir aquilo que eu levaria para vida. É uma escolha muito difícil, muito importante e é uma pressão muito grande. Se com 16 anos uma pessoa que está se formando falar “eu não sei ainda o que eu quero fazer na faculdade”, por exemplo, tudo bem. Tira um ano sabático, vai pensar, vai refletir. Eu não sinto que a gente deve pressionar ainda mais esses alunos, mas as escolas e a família devem oferecer suporte para eles para que caso venham fazer uma escolha, seja uma escolha consciente e caso também eles percebam no meio do caminho, ali no início da faculdade que não era muito aquilo que eles esperavam, existe um universo de possibilidades.
EXTRA!Ordinário: Quais são as maiores dificuldades que você enfrentou dentro da universidade?
Nayla Gusmão: Primeiro a adaptação a esse ambiente universitário. Às vezes a gente entra na universidade achando que ela é uma extensão do Ensino Médio e não é isso. Terminei o ensino médio em fevereiro, em março eu estava na faculdade. Foi assim, muito rápido. Então, a principal dificuldade foi enxergar a Universidade como um ambiente diferente do colégio. Um ambiente onde eu era mais responsável pela minha formação. E na universidade a exigência era minha comigo mesma: “Eu sou responsável pela minha formação”.
EXTRA!Ordinário: Quando você tinha que dar a preferência para o estágio ou para a faculdade, você fazia o quê?
Nayla Gusmão: Normalmente quando tinha essa relação estágio-curso, que eu precisava de alguma coisa, eu conversava com o meu chefe para me liberar, caso fosse necessário para as atividades da instituição. Eu me doava 1000% nos dois.
EXTRA!Ordinário: Como você escolhia o que fazer dentro do curso fora das disciplinas obrigatórias?
Nayla Gusmão: Realmente surgem muitas coisas durante o curso e no processo de decisão eu sempre fui bastante racional. Eu procurava ver o que tinha mais haver comigo, colocava tudo na balança, eu pensava nos meus valores, naquilo que eu acreditava e no que realmente seria importante para mim.
EXTRA!Ordinário: E como surgiu a oportunidade de você estagiar na TV Sudoeste?
Nayla Gusmão: Eu estava na Rádio UESB na época, surgiu o estágio, a seleção para a Assistência de Comunicação. Fui, fiz e passei. No ano seguinte teve a seleção para a Rádio UESB. Fiz a seleção e fui aprovada. Nesse ano especificamente, a estagiária que estava aqui (TV Sudoeste), simplesmente desistiu da vaga. Foi a primeira vez na história da TV Sudoeste que isso aconteceu. O meu chefe procurou o curso de jornalismo da UESB e falou que precisava de indicações de alunos, então indicaram os alunos da minha turma. Eu fui convidada, a gente veio aqui, tivemos um processo de seleção. E aí a gente começou.
EXTRA!Ordinário: Você tem como objetivo de vida, ocupar lugares de destaque dentro da televisão brasileira?
Nayla Gusmão: Tenho, se estiverem alinhados com os meus propósitos de vida. Já houve a proposta de eu ir para Salvador ocupar uma vaga na TV BAHIA, só que no momento eu estava próxima ao meu casamento e diversas questões da minha vida pessoal não se adequaram, e como eu citei aqui, eu sou muito honesta comigo mesma, então não aceitei.
EXTRA!Ordinário: Para encerrarmos, se pudesse, o que você diria para a Nayla caloura?
Nayla Gusmão: Eu quase não tinha sobrancelha, tinha cabelo lá em cima, como sempre. (risos) Eu estava certamente com alguma blusa amarela e de rasteirinha no pé. E eu diria pra ela assim, não faça nada diferente. Continue assim com essas ideias que você tem, continue se descobrindo, porque lá na frente vai dar certo. Daqui nove anos você vai contar pra três estudantes do curso de jornalismo que deu certo. (risos)

