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Desafios para retomada das aulas presenciais e a reaprendizagem

por: Iasmin Oliveira e Maria Luiza Andrade

Ir. Luzia Cristina Silva Santos, formada em Matemática pela UESB, é diretora do Lar Santa Catarina de Sena, Vitória da Conquista – BA. Foto: Maria Luiza Andrade

 

O Lar Santa Catarina de Sena, localizado em Vitória da Conquista – BA, é uma Instituição filantrópica no qual educandos em vulnerabilidade social na faixa de 04 a 14 anos participam, em período integral, do ensino básico e de oficinas socioeducativas como matemática, xadrez, leitura, escrita, música, teatro, dança, informática e esportes, tendo acompanhamento psicológico e de assistência social. Nessa entrevista, Irmã Luzia Cristina, formada em Matemática pela UESB e diretora da Instituição, falou um pouco sobre a retomada das aulas presenciais e como o Lar Santa Catarina de Sena lidou com as marcas deixadas pelo período de isolamento social nas crianças.

 

EXTRA!Ordinário: Como vocês se planejaram para o retorno das aulas presenciais?

Ir. Luzia Cristina: Tivemos que mudar toda nossa estrutura. A princípio, as crianças não ficavam mais em período integral porque somos uma instituição filantrópica e não podíamos contratar mais funcionários. Um grupo de alunos vinha pela manhã e o outro pela tarde para que não houvesse uma aglomeração o dia todo. E assim, conseguimos manter as nossas atividades.

 

EXTRA!Ordinário: No início das aulas presenciais como foi realizado esse ensino? Porque tem muitas crianças que não tinham maturidade cognitiva para assistir as videoaulas durante o ensino remoto. Como foi essa retomada da aprendizagem?

Ir. Luzia Cristina: Quando nós retornamos presencialmente, as professoras fizeram uma anamnese da turma para ver até onde os alunos tinham assimilado aquelas aulas que não foram presenciais e até onde eles conseguiram realmente aprender. Nós tínhamos, no período do ensino remoto, um sistema de duas pastas. Então toda semana o pai trazia uma pasta e levava a outra, já com a atividade daquela aula. As atividades que iam para casa foram um termômetro para as professoras verem se aquele aluno realmente havia assistido a aula e assimilado o conteúdo. Entrávamos em contato com os pais e pedíamos vídeo da criança assistindo aula.

 

EXTRA!Ordinário: Com a retomada das aulas em fevereiro de 2022, a senhora percebeu se as crianças mudaram a maneira de se relacionar ao se reencontrarem?

Ir. Luzia Cristina: Na verdade, sim. A primeira semana foi uma alegria total em todo mundo, mas nós percebemos o aumento do individualismo, da fofoca, ansiedade e falta de foco. Algo que não existia antes, porque eles já conviviam mais tempo juntos. Então nós fizemos um projeto e trabalhamos a cultura da paz, porque percebemos que eles retornaram mais agressivos, uma vez que não estavam sabendo lidar com aquela situação que a pandemia deixou neles. E a partir desse trabalho percebemos a redução da ansiedade gerada na pandemia. Além disso, a psicóloga se reúne com eles para que partilhem um pouco como estão se sentindo, como estão nessa rotina.

 

EXTRA!Ordinário: Com a retomada das aulas, como os professores lidaram com as necessidades individuais de cada aluno?

Ir. Luzia Cristina: Nós trabalhamos mais com experiências que desenvolvam as capacidades dos alunos, potencializando-os para uma pré-alfabetização. Portanto, de dois em dois meses realizamos uma avaliação do processo de aprendizagem e conseguimos atender as dificuldades dentro do nível de idade da criança. Então, as professoras acompanham os alunos pela manhã e estes que possuem maior dificuldade no aprendizado tem acesso a um horário individualizado de reforço escolar no período da tarde.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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