entrevistas

A funcionalidade do SIMMP em Vitória da Conquista

por: Filipe Viana e Manu Ribeiro

Entrevistada Greissy Leoncio, professora e advogada, atual vice-presidente do SIMMP. Foto: Filipe Viana

 

O objetivo da entrevista é trazer conhecimento e informação à população, no que diz respeito ao Sindicato do Magistério Municipal Público (SIMMP), para que, a partir desse conhecimento, as pessoas compreendam a importância do sindicato para a sociedade e, ainda, os desafios que os sindicalistas enfrentam atualmente. A entrevistada explica o que é o SIMMP e ressalta ainda a importância e dificuldade de ser uma mulher ocupando uma posição relevante, frente a um sindicato municipal.

Greissy Leoncio Reis é professora, graduada em pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), especializada em Educação, Cultura e Memória. É graduada em Direito pela Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR) e atualmente vice-diretora do Sindicato do Magistério Municipal Público (SIMMP).

 

EXTRA!Ordinário: Greissy, o que é o SIMMP?

Greissy Reis: O SIMMP é uma entidade de 33 anos de história. É uma entidade classista, ou seja, o SIMMP defende os interesses da classe de professores municipais de Vitória da Conquista. Lutamos pela garantia dos direitos trabalhistas desses professores, garantia das condições mínimas de trabalho, melhorias da profissão. Também atuamos na defesa da educação de forma ampla no município, não só no que diz respeito à classe docente, mas também à garantia de uma educação de qualidade. Temos um papel de fiscalizar as escolas para ver como está o funcionamento. Questões relacionadas à merenda escolar, material didático, metodologias pedagógicas, cumprimento de dias letivos. Tudo isso faz parte, inclusive, temos cadeiras em vários conselhos, como o Conselho de Merenda, Conselho Municipal de Educação, Conselho do Fundeb (que é um conselho muito importante, porque fiscaliza os repasses e aplicação do Fundo de Desenvolvimento da Educação e Valorização do Magistério). Então, atuamos em várias instâncias, mas sempre voltado para a questão da educação e da valorização profissional garantindo esses direitos trabalhistas e estatutários para os profissionais e professores da educação pública municipal. Para se filiar ao SIMMP, precisa ser professor da rede municipal de ensino.

 

EXTRA!Ordinário: Após os 24 anos de SIMMP, houve uma mudança de nome. De “Sindicato dos Professores” passou a ser chamado de “Sindicato dos Profissionais da Educação”, o que engloba uma categoria mais ampla, porque entram as aspirações de outros profissionais, não apenas dos professores. Queremos saber o que motivou essa mudança e como está sendo para o sindicato lidar com essas outras aspirações?

Greissy Reis: Houve realmente essa tentativa de ampliação de base. Foi feito um congresso a respeito em 2013, na tentativa de ampliar a base de representação. Só que no processo, no trâmite legal para essa mudança da base de representação do SIMMP, houve algumas falhas com relação às documentações, foi indeferido pelo ministério atual. Hoje, Ministério da Economia, que é o responsável por esse tipo de legalização. No período foram apenas os monitores então não pôde ampliar essa base por conta desse indeferimento. O que acontece nesse momento? Nós continuamos representando apenas os professores. Temos essa aspiração de fazer um novo processo de ampliação de base, mas a gente ainda não definiu quais os profissionais que a gente vai tentar incorporar na nossa base de representação. Então, isso ainda está em discussão junto à diretoria. Todo esse trâmite, todo esse processo, nós já estamos estudando, mas ainda não definimos, não batemos o martelo na data que a gente vai iniciar esse processo e nem quanto aos profissionais que nós vamos incorporar na nossa base de representação.

 

EXTRA!Ordinário: Como é a relação do SIMMP com a imprensa, vocês tem alguma dificuldade relacionada com a imprensa local?

Greissy Reis: Não temos tido nenhum problema com a imprensa local. Sempre que precisamos acionar a imprensa para noticiar algum fato importante relacionado ao SIMMP, relacionada aos professores municipais, nós sempre temos achado uma abertura. Geralmente, quando ocorre algum fato, eles nos procuram para esclarecimentos. O único problema que nós tivemos foi com a Rádio Clube, que eu acho que vocês sabem. Essa situação que nós tivemos com a Rádio Clube foi um incidente bem infeliz, mas eu considero aquilo como algo isolado. O incidente da Rádio teve uma motivação política, uma motivação pessoal, que eu acho que não é o papel da imprensa. O incidente na Rádio Clube se deu quando o apresentador desrespeitou a diretora e vice-diretora do SIMMP por motivações políticas e pessoais, pelo simples fato de serem mulheres em posições de poder.

 

EXTRA!Ordinário: Você é professora, advogada, mestre em estudos de gênero, mulher, à frente de um sindicato que é muito importante para o município. Queremos te perguntar se você se sente coagida ou desrespeitada de alguma forma nesses lugares, que geralmente são dominados por homens?

Greissy Reis: Com certeza. Bem, nós temos o exemplo da Rádio Clube, citado anteriormente. Entendemos também que aquela postura foi tomada por serem duas mulheres que estavam, ali, ocupando um lugar de fala para todo o município e região. Então, há uma tentativa de silenciamento das mulheres. Isso é bem notório no nosso país. Várias mulheres, deputadas, vereadoras, em algum momento foram assediadas moralmente ou sexualmente ou tiveram, por exemplo, o cerceamento da palavra. Mas, infelizmente, estamos em uma selva de pedras, não podemos deixar que nos silenciem, precisamos estar preparadas para esse tipo de hostilidade e continuar na missão de passar a nossa mensagem.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


Acesse o site anterior.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia