O esperançar de um bêbado
Todos os dias milhares de pessoas saem às ruas pra se divertir, trabalhar, namorar e também bebericar nos “butecos”, e lá jogar conversa fiada com os amigos e falar sobre os problemas e amenidades.
No curso da conversa, inevitavelmente vem o pedido: Garçom, traz uma “gelada” aqui na mesa 18. Logo vem o troféu tão almejado, como se fosse uma joia de valor imensurável: aquela “gelada” trincando, que ao adentrar nos lábios refresca a alma e acalma qualquer ansiedade.
Mas nem toda joia traz consigo a honestidade de poder tê-la imediatamente, pois precisa de observações do trâmite legal para poder usufruir dela, como bálsamo de acalanto da vaidade e, porque não dizer, de satisfazer o ego financeiro de quem a tem, principalmente quando se recebe de uma autoridade governamental, banhadas a “ouro preto”.
Lá pelas tantas o papo desenrola com mais leveza no “buteco”, e a tão cobiçada joia vem de tempos em tempos pelo mensageiro, legalmente revestido de poderes para tanto e seguindo as regras de aquisição dos detentores, que, obviamente, ao final, pagará pela tão valiosa joia adquirida, sem burla ou fraude.
Então chega a hora de desembarcar para o repouso do lar, contra a vontade, mas chegou a hora. Os saboreadores da cobiçada e usufruída joia, cumpre o que se espera de qualquer cidadão de bem: informa o que comprou e efetua o pagamento aos responsáveis, é o mínimo que se espera das pessoas de bem e cumpridoras das leis nacionais do Brasil, e de qualquer lugar que for.
Não é pertinente, que, a autoridade máxima de uma nação, no caso o Brasil, se utilize de elementos não legais para se apropriar de joia que, a despeito de ser patrimônio nacional, pretendesse incorporar ao seu patrimônio sem o cumprimento das formalidades que é de obrigação de qualquer pessoa que adentre em nosso país: informar que as trouxe. Mas, se não bastasse, utilizou da estrutura governamental e de pessoas da administração pública para burlar os procedimentos e apoderar destas joias (que são patrimônio público), sem pagar os tributos devidos! É inconcebível tal comportamento, até mesmo porque o “butequeiro”, se sair sem pagar a conta, o dono do recinto lhe “grampea”, e chama a polícia.
Elis nos imortalizou o hino da anistia, O Bêbado e a Equilibrista, com um poema cantado, expressão libertadora de uma nação oprimida por condutas de opressores do poder, que se utilizavam dele para benefício próprio. Neste hino, que se inicia com um tom de desalento, termina com um ar de fé: “Mas sei que uma dor assim pungente/Não há de ser inutilmente/A esperança/Dança na corda bamba de sombrinha/E em cada passo dessa linha/Pode se machucar. Azar/A esperança equilibrista/Sabe que o show de todo artista/Tem que continuar”.
E assim, como nossos guerreiros da democracia e da valorização do povo honesto, trabalhador, que dá a volta por cima e sacode a poeira, continuamos esperançosos, não do verbo esperar, mas de esperançar! Esperançar por um país mais justo e que a lei valha para todos.

