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O impacto da Lava Jato em um país corrupto

Desde que os escândalos de corrupção no Brasil abalaram todas as instâncias políticas com a descoberta do esquema de propina do Petrolão, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e os desdobramentos de várias prisões como a do ex-presidente Lula, a política brasileira entrou em colapso.  Os direitos e os privilégios que a política nacional proporciona aos parlamentares começou a ser indagado e o país manifestou sua opinião contrária a corrupção em protestos pelas ruas, nas redes sociais e nos veículos de comunicação em massa, revelando a sua indignação. Uma parte dos brasileiros continua a lutar para que a honestidade política seja defendida, que o voto de cada cidadão seja respeitado, e que os políticos tenham o compromisso de administrarem o dinheiro público sem clientelismo, nepotismo e oligarquias. Para aqueles que se agarram ao sonho de construir um país justo e outra vez na história conquistar o “direito” de ter políticos que possam exercer suas funções sem querer o enriquecimento ilícito, ficam duas perguntas: E a corrupção? Ela não passará?

A história do Brasil e a corrupção na política são amigos íntimos. Desde o processo de colonização, iniciado pelos portugueses em 1500, o suborno, a propina e a violação de direitos se tornaram marcos nesse processo. Da escravidão à liberdade, da ditadura à democracia, o Brasil não passou por nenhuma dessas transformações sem ter sua história escrita também pelas mãos dos corruptos e corruptores. E hoje o século XXI está revelando quantas falhas, fracassos e impunidade produziram um cenário político fértil para a lavagem dinheiro, compra de voto, doações ilícitas para campanhas eleitorais e fraudes no sistema eleitoral. A Esplanada dos Ministérios parece ter ignorado de uma só vez todos os valores éticos e morais que deveriam nortear o cenário político. E o mais importante: esquecerem também dos eleitores e trabalhadores que não sujaram as mãos com dinheiro público para construir esse país. A frase da Constituição de 1998 do artigo 1º que diz que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. ”  Parece que não é lembrada pelos políticos do país, que esqueceram dessa premissa e colocaram seus interesses pessoais na frente dos interesses públicos.

Diante de tantos escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro foi necessário a abertura de um processo de investigação para apurar a proporção e o impacto da corrupção no país. No dia 17 de março de 2014 a Justiça Federal deflagrou a Operação Lava Jato, com objetivo de investigar a movimentação de dinheiro ilícito em postos de combustíveis e lava jatos de veículos em Brasília. A operação tomou proporções maiores e descobriu um vasto esquema de corrupção envolvendo vários políticos e doleiros de partidos como o PT (Partido dos Trabalhadores), PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e entre outros. Os investigados foram acusados de conceder vantagens em contratos envolvendo dinheiro público a empreiteiras como Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez; e a grupos empresarias como a JBS. Recursos públicos que deveriam ser encaminhados para educação, saúde e moradia, acabaram nas mãos de políticos desonestos como Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Renan Filho, Aécio Neves e a lista se estende.

Diante de tantos crimes e de tanto dinheiro ilícito, a operação não podia parar e no dia 17 de março de 2018 a Lava Jato comemorou quatro anos e está na 49ª fase de investigação, consolidada como a maior operação conduzida no Brasil até hoje. Dentre os mais de 1434 inquéritos instaurados, de acordo a Folha Uol, cerca de 274 pessoas se tornaram réus e mais de 140 já foram condenadas. Os prejuízos estimados para os cofres públicos é de até R$ 29 bilhões, segundo o Tribunal de Contas da União, e de até R$ 42 bilhões, segundo peritos da Polícia Federal; e recuperação de R$ 4,2 bilhões do dinheiro desviado da Petrobras.

Mesmo a Operação sendo um marco para o cenário político marcado por tantos crimes envolvendo dinheiro público, e embora apresente resultados positivos, a opinião dos brasileiros acerca do tema não é unânime. A operação recebe várias críticas pelo excesso de concessões de delações premiadas e a quebra de sigilo durante as investigações. Vários acordos são feitos e muitas vezes os condenados recebem privilégios altos para delatar mais corruptos, como o ex-presidente da JBS Joesley Batista que ao delatar vários crimes e políticos, ganhou o benefício de sair do Brasil sem a tornozeleira eletrônica.

De acordo a Agência Brasil mais de 25 políticos acusados tiveram processos arquivados ou suspensos em tribunais superiores.

Esses e outros benefícios que envolvem a operação faz os brasileiros se posicionarem de lados opostos, o que coloca a corrupção e honestidade em um patamar muito maior do que a luta entre bem e o mal.

Não se sabe por mais quantas fases a Lava Jato vai passar e mais quantos processos e escândalos vão surgir nesse ano de 2018. Mas é necessário continuar debatendo e levando adiante as discussões a respeito da Operação. É nítido perceber o descontentamento da população brasileira com o atual cenário político do país em atos de manifestações públicas.

Em um ano tão cheio de incertezas no meio político é necessário que a voz do povo seja ouvida e que os direitos à educação, à moradia, à liberdade de expressão sejam respeitados também. A corrupção é um mal que assola o país em quase todas as esferas públicas e para combate-la é necessário aplicar medidas, como por exemplo retirar o foro privilegiados dos políticos, cortar benefícios como auxílio moradia, gasolina, saúde para que eles fiquem em termos de igualdade diante da população. Agilizar os processos e os julgamentos também é uma forma de prevenir e evitar que os políticos fiquem impunes por muito tempo, desfrutando dos benefícios de seus cargos. Construir um país justo e livre, em que a democracia e a constituição continuem a ser respeitada, requer um esforço tanto da população, quanto dos políticos. Por isso esse ano será decisivo no futuro do Brasil, a consciência de eleger políticos que tenham ética e responsabilidade é nossa. Cobrar, exigir, fiscalizar as ações e os compromissos de governo também é.

Um país só pode avançar quando a população e o governo trabalham juntos. A corrupção não pode mais ser tolerada, ela precisa ser vencida.

Andressa Oliveira
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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