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A falta de apoio às comunidades indígenas no Brasil favorece o aquecimento global

O aquecimento global é um grave problema ambiental que ocorre por consequência da relação hostil entre o homem e a natureza. Em agosto de 2019, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão responsável por estudos sobre aquecimento global afirmou, por meio de um relatório, que as “ações” humanas aquecem a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre.

 Entretanto, não são todos os humanos que contribuem para sua própria extinção, como é o caso dos povos indígenas. Esses povos originários, que ainda podem viver em suas terras, nascem e crescem sendo natureza, sem distinção entre gente e floresta. Exercem um papel fundamental para a preservação da natureza, que ainda resta. No Brasil, a população que se considera indígena cresceu pelo menos 66% entre 2010 e 2022, além de várias comunidades espalhadas em áreas de grande importância ecológica para o país. 

Em decorrência de vários processos para garantir visibilidade no Brasil, os indígenas lutam pelos seus direitos garantidos pela Constituição de 1988. No entanto, ações do próprio Governo Federal não contribuem para essa causa, o que permite o aumento de danos ambientais, que impactam o nosso planeta e ameaçam a existência humana.

O projeto de Lei 490/2007, conhecido como Marco Temporal, é um dos grandes embates para o desenvolvimento de comunidades indígenas e vem se tornando cada vez mais relevante no país, já que foi aprovado pela Câmara de Deputados no dia 30 de maio e segue para julgamento no Senado. A lei determina que somente os povos indígenas que estivessem no local antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 teriam direitos às terras, além de proibir a ampliação de terras já demarcadas, de permitir contato com povos isolados e contrato de cooperação para atividades econômicas.

No Brasil, as “ações” humanas que contribuem para o desenvolvimento do aquecimento global são, principalmente, as queimadas e derrubadas de florestas, consideradas atividades econômicas. Esses processos provocam a emissão dos principais gases do efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), além dessas atitudes afetarem diretamente os povos originários. Caso o Marco Temporal entre em vigor, todas essas causas serão ainda mais valorizadas e promovidas pelo próprio governo. Ou seja, estamos impedindo a vida na Terra e os “líderes” do país contribuem para a disseminação dessa causa, ao mesmo tempo que exterminamos aos poucos a solução.

Muitas comunidades indígenas enfrentam problemas como insegurança alimentar por conta do calor excessivo, falta de abrigo por consequência das queimadas e dos garimpos, além da seca nos rios, que impede a realização de atividades básicas, como lavar roupas e tomar banho. É nítido que tudo que contribui para o aquecimento global, desfavorece os povos originários.  

Os indígenas veem a natureza como um ser vivo e mantêm uma relação recíproca com ela, além de reconhecerem a importância de protegê-la. Enquanto não houver valorização desses povos, o planeta tende a se decompor, por conta de interesses políticos, ou melhor, humanos.

Talles Rocha
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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