Aquecimento Global: manejo eficiente da bovinocultura para redução da emissão de gás metano
O aquecimento global não é novidade para o mundo, apenas quem não quer ver não enxerga a problemática grave que ele vem se tornando nos últimos tempos. A atuação humana é fator determinante na mudança climática, sobretudo na emissão GEE (gases de efeito estufa). Estes gases influenciam sobremaneira no aumento da temperatura atmosférica e mudanças extremas de precipitação em regiões de altas e baixas pluviosidades.
Esse aumento exacerbado do calor na atmosfera terrestre não é um evento registrado da noite para o dia. Segundo o principal órgão responsável por sistematizar e divulgar estudos relacionados com o aquecimento global, o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), esse processo é resultado da somatória de diversos acontecimentos ao longo do século XX, como o advento da Revolução Industrial, considerado o período mais quente da história. Sendo assim, tem ligação direta com as atividades antrópicas, e essas práticas podem ser definidas como ações que não garantem a existência de recursos e do meio ambiente para as futuras gerações do planeta, sendo os principais vilões o desmatamento, as queimadas, a poluição e a bovinocultura.
Provavelmente, no futuro, países produtores de bovinocultura de leite e de corte estarão sujeitos a restrições, caso os complexos de bovinocultura não cumpram as medidas de redução de gases de efeito estufa (gás metano – CH4). Neste sentido, existem maneiras de reduzir tais efeitos, como destacado por Carlos Lascano, em seu estudo publicado na SciELO:
“Há diversas alternativas disponíveis e em estudo para reduzir as emissões de CH4 por bovinos, que vão desde a manipulação da composição da dieta, suplementação com aditivos e seleção de plantas forrageiras de alta qualidade contendo metabólitos secundários ao melhoramento animal, imunização e transformação genética dos microrganismos ruminais”.
O interesse pelo impacto da bovinocultura no aquecimento global estimula a mídia a produzir mais e mais informações. Infelizmente, essas informações vêm escoltadas de desinformação, quando não especialistas começam a discutir o tema com muita opinião e pouca base científica. A primeira confusão corriqueira está na expressão “pum do boi”. Tal confusão, soa de maneira comum, porém, em matéria publicada pela no site da Embrapa, Gabriel Faria destaca a pesquisa sobre o tema:
“As emissões de Gases de Efeito Estufa do rebanho não vêm, de modo relevante, da flatulência, mas sim do metano emitido pela eructação (arroto); do óxido nitroso emitido pela decomposição dos dejetos lançados no pasto ou em confinamento; e da mudança de uso da terra, especialmente pelo desmatamento”.
Por conta de polêmicas quanto à redução do consumo de carne como forma de reduzir o aquecimento global, em 2022 foram propagadas declarações, muitas sem lastro na ciência, sobre a bovinocultura e suas emissões de GEE. No sentido de clarear o assunto, pesquisadores da EMBRAPA, à luz da ciência, busca qualificar o debate a não tornar o consumo de carne o vilão do aquecimento global. Assim, é preciso entender a bovinocultura como um fator que pode ser melhorado o seu manejo a contribuir para a melhoria da qualidade climática do planeta.
A eficientização da bovinocultura, por meio de práticas de manejo correto de pastagem, uso de aditivos e investimentos tecnológicos, além de proporcionar o aumento da produtividade, permite a redução de gás metano na atmosfera. Portanto, o manejo mais eficiente do gado traz importante contribuição para a redução da temperatura no planeta e associado ao controle dos demais fatores de aquecimento global (desmatamento, emissão de CO2, etc) potencializa o esforço global na melhoria climática.

