Reescrevendo a história: a revitalização do Rio Tietê
O aquecimento global é uma preocupação em todo o mundo, e um dos seus principais efeitos é o aumento dos problemas ambientais relacionados aos mares, oceanos e rios. A existência dos rios no planeta terra é de extrema importância para a sustentação da vida em todo o globo, já que o estado saudável da água é responsável pela contribuição da fauna e da existência de ecossistemas equilibrados. Infelizmente nem todos os rios se encontram nesse estado ideal e saudável. Um exemplo incontestável e mais próximo da realidade dos brasileiros é o Rio Tietê, localizado no estado de São Paulo, sendo o rio mais poluído do Brasil segundo uma pesquisa realizada em 2013, pelo IBGE. Diante disso, a revitalização do Rio Tietê é um assunto de grande importância e tem sido um objeto de discussão e planejamento por parte de autoridades e especialistas há décadas.
O Tietê é um dos rios mais conhecidos do Brasil, com um comprimento de 1.100 km, atravessando todo o estado de São Paulo. Este rio encontra-se poluído por consequência de ações como o despejo de resíduos, esgoto, lixos industriais e urbanos, que são despejados na água de forma irregular. A quantidade de lixos que é descartada de forma ilegal nas águas do Tietê, vem causando prejuízos à biodiversidade. Uma situação podemos trazer como exemplo é o que aconteceu no município de Sabino-SP, onde uma camada de algas se formou por conta da sujeira que acumulou no rio, diminuindo o oxigênio da água e consequentemente levando a morte dos peixes. Gerando assim, uma tragédia ambiental, como foi publicado no site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Esse episódio deixa claro como a poluição do Rio Tietê traz estragos e afeta diretamente a biodiversidade aquática.
A prática de despejar lixo de maneira incorreta no leito do rio, se tornou comum devido à ausência de uma rede de captação de esgoto no período da industrialização brasileira, entre as décadas de 1930 até 1970. A poluição das águas do rio Tietê é um agravante que, por muitas vezes, faz com que o rio seja associado apenas à poluição e aos seus problemas ambientais. Infelizmente, isso é um fato que vem aumentando cada vez mais, visto que as águas de boa qualidade estão diminuindo enquanto o volume de água contaminada aumenta. Um relatório publicado em 2022, pela fundação SOS Mata Atlântica, aponta que uma mancha de poluição em um trecho monitorado aumentou 40% em um ano. Em 2021, a área poluída era de 85 km e passou para 122 km no ano de 2022. O rio também sofreu redução na água de boa qualidade, passou de 124 km para 60km em 2022. Esses dados ressaltam a deterioração e a degradação que o Tietê vem sofrendo com o passar dos anos.
A recuperação do Tietê envolve uma série de desafios, considerando a extensão de sua bacia hidrográfica e os problemas ambientais acumulados ao longo do tempo. Contudo, existem algumas estratégias que podem ser adotadas para a sua revitalização. Dentre elas podemos destacar: O tratamento de esgoto, sabendo que uma das principais fontes de poluição do Tietê é o despejo de esgoto sem tratamento adequado. É importante promover a conscientização sobre a necessidade de conectar as residências à rede de esgoto e evitar lançamentos irregulares. Também podemos citar a fiscalização e punição como outra estratégia, sendo necessário intensificar a fiscalização das atividades ilegais que causam danos ao Tietê, como o despejo irregular de resíduos industriais e o desmatamento ilegal. Outra estratégia é a Educação Ambiental, onde Programas de educação podem ser implementados em escolas, comunidades e meios de comunicação para incentivar a mudança de comportamento, conscientização sobre a importância da preservação do Rio, e promover práticas sustentáveis.
Portanto, é nítida a urgência de medidas para combater a poluição do Rio Tietê. Para tal fim, é necessário que os órgãos competentes, como o governo e a prefeitura da maior cidade do Brasil, se esforcem para enviar recursos e aprovar leis que visam a preservação do Tietê. Um exemplo disso é o Programa IntegraTietê, um projeto anunciado pelo governo de São Paulo que buscará a revitalização do rio até 2026, onde contará com ações como ampliação da rede de saneamento básico, e melhorias no monitoramento da qualidade da água, afim de melhorar as condições atuais do rio. Podemos concluir que a poluição do rio Tietê não prejudica apenas a cidade de São Paulo, contudo, prejudica também boa parte do planeta. Se seguirmos do pressuposto de que todo e qualquer rio, no fim do seu ciclo, deságuam nos oceanos, logo toda a poluição do rio paulista vai parar nos oceanos também, prejudicando assim a vida marinha e contribuindo ainda mais para a degradação do meio ambiente e isso precisa ser evitado.

