Sua casa está em chamas
Qual seria a sua reação ao perceber que a sua casa está pegando fogo? É melhor pensar sobre isso, porque ela está. O planeta Terra está passando por mudanças climáticas que tornam catástrofes naturais cada vez mais frequentes e devastadoras. A Organização das Nações Unidas (ONU) deu o ultimato: a mudança climática não pode ser revertida, mas precisa ser gerenciada. Ainda alerta para a necessidade de “cortes de emissões [de gases do efeito estufa] mais profundos e rápidos para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC”.
Aquecimento Global refere-se ao aumento do padrão de temperatura e do clima da Terra. É um fenômeno natural, potencializado pela ação humana e o uso de combustíveis fósseis que emitem gases do efeito estufa. O acúmulo destes gases, principalmente o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso formam uma espécie de “cobertor” no planeta, que retém o calor e faz com que as temperaturas subam de maneira anormal. Segundo um estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM), realizado em 2023, os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados.
As consequências são cada vez mais agressivas. Desastres naturais têm sido observados com maior frequência e tendem a aumentar. Na economia, estima-se que há perdas bilionárias, como no caso das enchentes no Paquistão em julho e agosto de 2022, que causaram prejuízos de cerca de trinta bilhões de dólares.
No aspecto humano, as mudanças climáticas trazem perdas significativas. Muitas pessoas perderam suas vidas em tragédias climáticas e a desigualdade social mostra-se ainda mais potencializada. Lugares onde há maior risco de desastres naturais são também os mais economicamente acessíveis e onde a parte mais pobre da população encontra abrigo. A crise climática gera também crises sociais como: insegurança alimentar, aumento da pobreza, impactos na saúde, necessidade de deslocamento populacional e conflitos entre comunidades, esses são apenas alguns dos aspectos relacionados.
A essa altura, a mudança climática não pode ser revertida ou freada, mas nem tudo está perdido. Saberes ancestrais aliados com o avanço da tecnologia e um olhar atento à questão são ingredientes fundamentais para o enfrentamento das consequências. Sensores, satélites e drones, hoje, funcionam como as dríades – protetoras das florestas na mitologia grega – do mundo real e podem evitar grandes perdas ambientais, socioeconômicas e humanas. É necessário abrir os olhos para as mudanças e preparar-se para elas, porque são inevitáveis.
Buscar informações e cobrar das indústrias, das instituições e do Estado é de suma importância. Fazer a sua parte também é. Criar hábitos diários para reduzir a pegada de carbono, consumir com consciência, escolher líderes engajados com a ação climática e contribuir para que o conhecimento chegue à sua comunidade. Essas são ações que, inicialmente, podem parecer muito pequenas, mas somando esforços individuais se constrói um futuro diferente. Você não estará sozinho, só estamos ainda separados.

