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Ser humano: o animal que ameaça a própria existência

Em um sistema em que a busca pelo lucro e pela maximização dos rendimentos estão acima da natureza e da vida humana, evidencia-se o preço a ser pago. A destruição do meio ambiente manifesta-se na presença do aquecimento global, sendo tal fenômeno, reflexo da interferência gananciosa do homem no ecossistema do planeta. De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente, a floresta amazônica no ano de 2022 teve uma perda de 10.573 km² no volume de vegetação, isso em grande parcela, aconteceu devido ao desmatamento clandestino que visa a comercialização de madeira e a exploração mineral do solo de áreas florestadas, como denunciado pela operação “Hardwood” feita pela polícia federal. Segundo a Agência Brasil, o desmatamento que objetiva a exploração mineral dos territórios amazônicos teve um aumento exorbitante entre os anos de 1985 e 2020, isso se dá devido a busca indiscriminada pelo ouro e pelo enriquecimento indevido.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, as florestas agem como  um filtro na conversão de carbono da atmosfera em oxigênio no processo da fotossíntese. Ao desmatar e queimar a vegetação o carbono é liberado, ocasionando reações químicas que resultarão no dióxido de carbono, gás tido como o de maior impacto no efeito estufa. De acordo com o Portal Ecodebate, o Brasil correspondeu a 43% do desmatamento global em 2022, mesmo tendo um montante de aproximadamente 30% das reservas florestais do planeta terra. Esses números revelam o descaso que foi causado por parte dos governantes brasileiros. Segundo a BBC, nos anos de 2019 e 2020, foi percebido o desinteresse por parte do presidente nas questões ambientais, visto que houve um aumento significativo na destruição das florestas. Além disso, ele não compareceu à 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a qual visava diminuir a emissão de gases poluentes por meio da preservação das florestas.

A mineração também é um agente que contribui para a destruição ambiental, visto que a extração de minerais libera materiais terrosos que podem conter metais pesados, contaminando o solo, o ar e a água. O site eCycle afirma que, uma nuvem de poeira é formada a partir da escavação e explosão para a obtenção de minérios. Essas partículas contribuem para a poluição atmosférica, a qual facilita a ocorrência da chuva ácida. Esse fenômeno remove minerais do solo que são necessários para o crescimento das plantas, potencializando o aquecimento global. Segundo o artigo do Jornal USP, a mineração ilegal, além de destruir campos florestais que não podem ser recuperados, também interferem na qualidade de vida de comunidades ribeirinhas e indígenas, através da contaminação dos rios, usados para pesca e para consumo da população que vive nas proximidades dos campos de extração.

Em vista disso, evidencia-se que a negação da ciência e a ganância financeira são os principais fatores responsáveis pela destruição do planeta terra. Dessa forma, é inevitável falar de combate ao aquecimento global e proteção da natureza, sem falar  de um rompimento geral com o sistema que rege a atual conjuntura, que foca na exploração de recursos naturais visando a capitalização e o lucro acima de tudo. Destruindo a fauna e a flora mundial, com o intuito de maximizar rendimentos, exaltando o desapreço pelo meio ambiente e negando as mudanças climáticas. O sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, publicado em março de 2023, aponta que cerca de 3,3 bilhões de pessoas vivem em países que sofrem vulnerabilidades às mudanças climáticas, já sentindo os efeitos do aquecimento global, que são as tempestades, inundações e secas. Portanto, ignorar o colapso ambiental é atentar contra a própria existência.

Anaví Souto e Ebenezer Cascaes
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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