artigos

De protocolos ao Projeto Willow

Segundo a World Wildlife Fund Brasil (WWF), aquecimento global é: “o aumento da temperatura média dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra que pode ser consequência de causas naturais e atividades humanas”. O aquecimento global mostra-se bastante atrelado ao avanço do capitalismo, já que, conforme o sistema se consolidou com a Primeira e Segunda Revoluções Industriais. Atrelado a isso, temos com a mais recente revolução técnico-científica-informacional pós-Segunda Guerra Mundial (1939-45), o meio ambiente sendo explorado proporcionalmente à demanda do mercado, ou seja, mais produtos para serem produzidos exigindo mais matéria-prima. Entretanto, a cada ano que passa, diversos líderes globais e parte da sociedade civil tendem a tratar desse assunto com bastante negligência. Após alguns líderes perceberem que o aquecimento global era um problema real e concreto, diversos congressos e conferências foram organizados para evitar piores consequências que as ações antrópicas causam ao futuro do planeta. 

O primeiro tratado internacional visando controlar a emissão de gases na atmosfera foi o Protocolo de Kyoto de 1997.  Segundo a Agência Senado, a principal meta do tratado era o de diminuir 5,2% da emissão de poluentes em relação a 1990, no período correspondido entre 2008 e 2012. Pragmaticamente falando, o resultado foi um sucesso, tendo em vista que em 2012, segundo a Deutsche Welle, as emissões dos países industrializados caíram 20% em relação a 1990. Matematicamente quase cinco vezes a meta do protocolo. Entretanto, nesse mesmo período, as emissões globais aumentaram 38%, já que o tratado se aplica apenas aos países responsáveis por um quarto das emissões globais.

Mais recentemente, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, com 3 principais objetivos claros: limitar o crescimento das temperaturas em 1,5º C no século, relatar de 5 em 5 anos os níveis de emissão e possíveis medidas a serem tomadas e um investimento financeiro por parte dos países industrializados em países em desenvolvimento, para ajudar na sua construção sustentável. Embora ambicioso, o acordo tem suas estratégias e um potencial enorme de sucesso, caso os ingressados colaborem em conjunto nesse objetivo em comum.

Em contrapartida, o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aprovou o Projeto Willow, um mega projeto de extração de petróleo e gás no Alasca, o que contraria diversos ativistas e parte da sociedade civil. Caso o projeto saia do papel, as estimativas da ConocoPhillips calculam em torno de 180 mil barris de petróleo por dia, consequentemente, um crescimento na autossuficiência energética e um avanço significativo na economia estadunidense. Todavia, segundo o Escritório de Gestão da Terra dos Estados Unidos, essa extração poderá gerar até 278 milhões de toneladas de CO2 durante seus 30 anos em atividade. Na melhor das hipóteses, o projeto seria um desastre para a vida selvagem, as comunidades locais e o clima do planeta como um todo. Para compensar os opositores, o governo lançou juntamente com a aprovação do projeto, novas proibições à extração de petróleo e gás no Oceano Ártico, o que não contentou a maioria dos ambientalistas.

Hoje em dia, os três países que mais poluem o mundo com dióxido de carbono são, em ordem decrescente: China, Estados Unidos e Índia. Para atingir uma neutralidade carbônica, não basta apenas uma redução doméstica de poluição, é preciso compensar grande parte dessa pegada de carbono nos mercados internacionais de carbono. Analisando as notícias recentes, a exemplo da aprovação do Projeto Willow, percebe-se uma enorme contradição entre o desenvolvimento e a destruição do meio ambiente, já que países mais desenvolvidos apresentam uma resistência na migração para um crescimento sustentável. E, se por um lado participam das conferências de sustentabilidade, por outro, continuam a exploração predatória da natureza, colocando em risco de extinção diversas espécies da fauna e da flora, mas principalmente a própria humanidade.

Allan Victor
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


Acesse o site anterior.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia