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Os impactos do ensino médio integral na rotina de estudos para o ENEM e vestibulares

por: Raquel Gomes e Sophia Cherubini

Karol Antunes Silva, estudante do Colégio Estadual Abdias Menezes, em Vitória da Conquista. Foto: Sophia Cherubini

 

A preocupação dos estudantes com o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e vestibulares aumenta a cada ano. Somente em 2022, quase 3,4 milhões de pessoas fizeram a inscrição para realizarem o ENEM. Paralelo a isso, instituído em 2017, o ensino médio integral possui uma carga horária densa, que dificulta o estudante na criação de uma rotina de estudos efetiva para alcançarem a aprovação nos vestibulares e ENEM. Pensando nisso, convidamos a estudante de 16 anos, Karol Antunes, que frequentou um colégio de ensino integral e, para que pudesse continuar com seus estudos à parte em casa, teve que mudar para um colégio de meio período. A estudante relatará as dificuldades em conciliar a rotina de estudos com as atividades do colégio, bem como as diferenças dos assuntos ministrados em sala de aula e os assuntos estudados em casa, com ajuda de um cursinho preparatório básico online privado.

 

EXTRA!Ordinário: Karol, o que te levou a mudar para um colégio de meio período?

Karol Antunes: O ensino integral. Ele te impossibilita estudar de forma eficiente e válida para qualquer tipo de prova e concurso. O ensino público também não é eficiente, já que os assuntos não são passados de maneira correta. A didática escolar não facilita na hora das provas, porque a maneira que os professores ensinam, ou acham que ensinam, não faz que o aluno absorva o conteúdo passado em sala de aula.

 

EXTRA!Ordinário: Como era a sua rotina de estudos durante o ensino integral?

Karol Antunes: Eu montei minha própria grade. É muito melhor e eficiente, pois você que sabe sua rotina, seu tempo disponível e pode fazer um cronograma possível de seguir. Meu cronograma se dividia em quatro partes: estudava o tempo máximo que consigo estudar em um dia, entre 3 a 4 horas. Separava duas horas para cada matéria e uma hora para resolver assuntos escolares.

 

EXTRA!Ordinário: Você consegue conciliar sua rotina de estudos com as demais exigências do colégio?

Karol Antunes: Sim, porque não é muito cobrado do aluno em uma escola pública. Quando se estuda assuntos mais específicos, como no cursinho, é mais fácil se sair bem nas provas do colégio.

 

EXTRA!Ordinário: Em algum momento, alguma atividade ou trabalho do colégio foi negligenciado por conta dessa rotina de estudos em turno oposto?

Karol Antunes: Sim. É muito difícil conciliar duas didáticas diferentes em um tempo curto. Metade do dia estou na escola, vivenciando uma aprendizagem muito diferente, e na outra metade estou vivenciando uma didática mais analítica, no cursinho, do que estou estudando na escola. Geralmente, no final da unidade, são passados muitos trabalhos, e preciso deixar de estudar para fazê-los.

 

EXTRA!Ordinário: A carga horária do colégio influencia de alguma forma em sua rotina de estudos em casa?

Karol Antunes: Sim. A carga horária do colégio influencia negativamente na minha rotina de estudos por ser muito cansativa. Estou em um ambiente em que não me sinto confortável, possuindo diversas responsabilidades que não me levarão até o meu objetivo.

 

EXTRA!Ordinário: Atualmente, como funciona a sua rotina de estudos em um colégio de meio período?

Karol Antunes: É mais fácil. Consigo conciliar o estudo de meio período com o estudo para o vestibular. Possuo mais tempo para os estudos. Minha rotina mudou, porque os trabalhos passados na escola ocupam o tempo que dedico às matérias. Porém, ainda mantenho o ritmo para estudar os conteúdos.

 

EXTRA!Ordinário: Você percebeu alguma diferença no rendimento dos seus estudos com essa mudança de colégio?

Karol Antunes: Muitas. A dinâmica de aulas dos professores no integral eram aulas analíticas e muitas vezes desnecessárias. No meio período, temos uma dinâmica mais alternativa, com atividades lúdicas e mais material para se usar em casa. Os estagiários mandam os materiais para estudarmos em casa e realizamos atividades e experiências no outro dia.

 

EXTRA!Ordinário: Em relação ao ensino, você acredita que somente o ensino do colégio é suficiente para que um aluno seja aprovado no ENEM ou em algum vestibular?

Karol Antunes: Não. O ensino escolar não é suficiente para o aprendizado aprofundado cobrado nas provas e a prática não é eficiente.

 

EXTRA!Ordinário: Você se sente preparada para o ENEM e vestibulares?

Karol Antunes: Não. Quem estuda nunca se sente preparado. A insegurança e o medo de quem estuda é muito maior do que o medo de quem não estuda.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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