Cursos técnicos são alternativa diante dos desafios atemporais de baixa renda e empregabilidade
por: Leticia Alves e Rafaella Leite

Stela Thilda, administradora do Instituto Ana Nery. Foto: Leticia Alves
Na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, nota-se uma grande oferta de cursos técnicos, que buscam transpor a falta de capacitação para o mercado de trabalho por meio de institutos especializados. Nesse cenário, conversamos com Stela Thilda, administradora de uma dessas unidades de ensino, localizada no centro da cidade, que oferece aos seus discentes uma grade de cursos diversificada e estágios com o viés de inseri-los no mercado de trabalho. Os desafios que os brasileiros enfrentam para conseguir uma colocação no mercado de trabalho são inúmeros, a taxa de desemprego no país divulgada pelo IBGE este ano é de 46,3% para homens e 53,7% para mulheres e ainda chega a somar 12,2 % no Nordeste (com a maior taxa entre os demais estados). A qualificação é de exímia importância para todos aqueles que procuram uma profissão e condições melhores em estabilidade financeira.
EXTRA!Ordinário: Stela, quais os cursos ofertados na área da saúde?
Stela Thilda: Técnico em Enfermagem, Podologia, Instrumentação Cirúrgica, Cuidador de Idosos e Estética.
EXTRA!Ordinário: Quais os contratempos mais corriqueiros enfrentados pelos alunos que dificultam a participação no dia a dia escolar?
Stela Thilda: A dificuldade que eu acho é para aquelas mães que tem filhos, porque hoje se você não tem com quem deixa, não consegue uma creche ou alguém para ficar com a criança naquele período das aulas. Aqui na nossa escola mesmo, algumas mães já trouxeram seus filhos para a sala de aula, se desculpando por não ter com quem deixar o filho(a). O pai às vezes trabalha à noite e ela também cursando no mesmo horário, então é difícil, mas elas não renunciam a um sonho que vão realizar lá na frente: o de trabalhar e ajudar o parceiro. Temos muitos alunos assim que tiram das suas dificuldades a vontade de fazer o curso e assim estar ajudando alguém. E temos alunos de outras regiões próximas a Vitória da Conquista, que saem de madrugada de suas cidades para estar aqui às 7h da manhã. E almoçam por aqui mesmo. Temos um espaço para almoço, é cansativo para eles, mas estão aqui para lutar pelo sonho.
EXTRA!Ordinário: Quais são os públicos que apresentam maior procura dos cursos para ingressar na área da saúde?
Stela Thilda: O maior público que atendemos são de mulheres, hoje pelo menos 20% dos alunos são homens. Quando começamos a empresa, numa sala para trinta alunos, tinha um homem e o resto mulheres.
EXTRA!Ordinário: Como acontece a distribuição da grade curricular e da carga horária para a flexibilização de horários?
Stela Thilda: Aqui é assim, nós temos curso à noite das 19h às 21h40 e temos no sábado o dia todo, com horário e espaço para almoço. E se os alunos quiserem voltar ao curso para fazer apenas uma matéria para se atualizar, também ofertamos.
EXTRA!Ordinário: Como a instituição enxerga e trata de estigmas relacionados a saúde mental?
Stela Thilda: Temos palestras, convidamos uma pessoa para falar a respeito. No início do ano mesmo convidamos uma psicopedagoga. E procuramos sempre abraçar os alunos que precisam de apoio. Como nós temos a matéria de psicologia, conversamos sobre como lidar com esses alunos. Houve momentos que indicamos e encaminhamos a psicólogos. Alguns já trancaram o curso para voltar quando melhorassem.
EXTRA!Ordinário: Quais são as ações ofertadas no Instituto para visibilizar e inserir o aluno no mercado de trabalho?
Stela Thilda: Nós temos estágios para os alunos, por exemplo no Hospital de Base. Aquele aluno que é aprovado e atinge o tempo necessário de curso mandamos para o estágio. A maioria dos alunos conclui o curso junto com o estágio, quanto mais dedicado o aluno é no estágio, mais possibilidade tem de conseguir emprego, pois são vistos por aqueles que os treinam na função.

