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Jornalismo Institucional e os novos desafios do jornalista da atualidade

por: Helinho Sitos

Luís Fernando, Secretário de Comunicação da PMVC, no seu ambiente de trabalho. Foto: Helinho Sitos

 

Na era da velocidade das informações e da comunicação em massa através das redes sociais, é necessária cada vez mais uma adaptação do jornalista aos novos tempos. Isso aumenta a sua dificuldade diante de um cenário tão desafiador, como por exemplo o combate às fake news que chegam às pessoas, sem controle. Seja no jornalismo convencional ou institucional, o objetivo final é levar as informações com clareza e veracidade ao público. E foi diante desse cenário que entrevistei Luís Fernando Lima, Secretário Municipal de Comunicação da Prefeitura de Vitória da Conquista, Bahia. Luís Fernando é formado em jornalismo e atuou na coordenação-geral da Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa da Bahia. Trabalhou na cobertura política há mais de 15 anos e como repórter, passou pelas redações dos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia, além de sites, assessorias de comunicação de instituições públicas, privadas e campanhas eleitorais.

 

EXTRA!Ordinário: Com pouco mais de um mês como Secretário Municipal de Comunicação em Vitória da Conquista, já é possível fazer um balanço parcial de como está sendo essa experiência?

Luís Fernando: Já sim. A Secretaria de Comunicação funciona como um meio dentro da estrutura da gestão. É um meio que comporta um tripé dentro da comunicação, que é o seguinte: relações públicas, publicidade e propaganda e jornalismo. Em cada um desses segmentos, a gente precisa desenvolver ações estratégicas e de planejamento. O maior desafio ao assumir a Secretaria é você conseguir montar esse mosaico para melhor definir quais são as estratégias que vão ser traçadas para alcançar o objetivo maior, que é informar a população daquilo que está sendo feito pela gestão (municipal). Então, o principal balanço dessa experiência é que é muito satisfatório quando você consegue transmitir isso e encontra nas pesquisas o resultado desse trabalho que é feito a muitas mãos.

 

EXTRA!Ordinário: Você já teve longa experiência no jornalismo diário em veículos da mídia impressa e digital. Quais elementos desse tipo de trabalho você pode trazer para a experiência no jornalismo institucional?

Luís Fernando: O jornalismo diário de redação, seja ele impresso, televisão, rádio ou digital, ele tem um foco na síntese, no interesse público, enquanto o desafio para a gente que está na gestão institucional é mostrar para as pessoas, dar transparência ao que está sendo realizado pela gestão. Então, as principais características que a gente emprega do jornalismo diário dentro do jornalismo institucional é você sintetizar a informação, deixar os adjetivos de lado e mostrar para a sociedade aquilo que de fato está sendo realizado em tempo rápido, mas contextualizando. A instituição, o poder público de um modo geral serve à população, então é preciso que a população se enxergue naquilo que está sendo produzido pelo jornalismo institucional. A experiência nos ajuda a instrumentalizar isso e também a lidar com pessoas, a lidar com equipe, a “azeitar” e ouvir todo mundo.

 

EXTRA!Ordinário: Você acredita que, em um futuro próximo, o ser humano, no caso, o jornalista, estará trabalhando em conjunto com a Inteligência Artificial?

Luís Fernando: Eu acho que não tem muito para onde correr. As ferramentas estão aí, elas não vão sumir, desaparecer, e não há processo nenhum que seja possível que freie isso. As pessoas, a gente vive um tempo da dinâmica. O maior ativo do ser humano hoje é o tempo. Ninguém tem tempo e não quer perder tempo com nada. O Twitter é o sucesso que é, porque ele desenvolve tudo com poucos caracteres. As pessoas não querem ler grandes textos. Elas vão ler manchetes. E quem vai fazer manchete melhor? Você ali, quebrando a cabeça, ou uma máquina que junta a palavra de acordo com o algoritmo que a pessoa já procura? Então, você vai ter que trabalhar consorciado com a máquina, não tem jeito. Brigar com isso é besteira.

 

EXTRA!Ordinário: As fake news não são novidade no jornalismo, mas foram intensificadas pela disseminação das mídias sociais, de alguns anos para cá. Quais as formas mais eficientes de combatê-las?

Luís Fernando: A melhor forma de se combater fake news é com informação. Você tem aí as agências de checagem de informação, você tem as fontes para correr atrás. É importante que a gente não fique, nesse momento que a gente está vivendo, no jornalismo declarativo. É checando, pegando o maior número de fontes. É ouvindo de todos os lados, buscando a informação na origem. Na última pesquisa que nós fizemos aqui em Conquista, em junho, a gente percebeu que 80% da população se informa através do Whatsapp e eu costumo dizer que é o novo boca a boca. Quando você recebe alguma coisa do Whatsapp de algum conhecido, você leva em consideração que aquela pessoa é de confiança. Então, você tende a acreditar naquilo. Como é que você combate isso? É difícil, é um desafio. O desafio da gente é estar presente também no Whatsapp, através dos leads, fazer com que a mensagem institucional, por exemplo, no caso da Secretaria de Comunicação, chegue às pessoas. Então assim, se combate fake news com informação, não tem para onde correr. É o ponto base.

 

EXTRA!Ordinário: Pessoalmente, qual a área do jornalismo que você mais se identifica?

Luís Fernando: Política e economia sempre foram as áreas, que para mim, foram muito significativas. Eu sempre gostei muito do cultural também, só que eu acho que o jornalismo cultural exige um requinte textual que eu nunca me dediquei a estudar para tê-lo. A política aconteceu na minha vida antes do jornalismo, então não tinha muito para onde correr. E a economia para mim é o que baseia, o que lastreia tudo isso. Então, também foi uma área que eu me dediquei, estudei e trabalhei como setorista durante um período longo.

 

EXTRA!Ordinário: O jornalismo passou por muitas mudanças no mercado de trabalho. Qual recomendação você daria para os estudantes que estão se iniciando nesse curso?

Luís Fernando: O jornalismo tem um paradigma, ele exige que você cada vez mais “niche”, setorize, segmente seu conhecimento, se aprofunde nele e ao mesmo tempo que você saiba um pouco de cada coisa. Então, você vai ter que ser um generalista que tem um foco, um hiper foco. Esse é o paradigma, não tem moleza. O que vai diferenciar um jornalista que está começando agora? É a sua capacidade de se aprofundar, de criar inter-relação entre os assuntos, de ter bagagem de conhecimento para criar as contextualizações e o olhar humano criativo, que isso a máquina vai demorar um pouco para desenvolver. Então, é importante que a gente olhe para a pauta e olhe para que ela serve, a quem ela serve ou a quem ela impacta, com o olhar de ser humano. Essa empatia tem um feeling que é intuitivo, mas ela tem também uma bagagem de conhecimento que precisa ser adquirida. E ela é adquirida com leitura, com filme, com música, com vivência, com interação humana, com abraços, choros, bar, com campo de futebol, com saídas, com igreja, com as áreas de convivência social.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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