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Onde acesso a compreensão?

Com a popularização e os grandes investimentos em mídias sociais, o poder do ser humano foi amplificado, tanto no sentido de transformar a si mesmo quanto à sociedade. Essas mídias geraram uma falsa sensação de que agora o mundo todo estaria conectado, existindo assim maior interação e união entre os povos. Porém, a fragilidade dessa possível realidade está cada vez mais visível e não é preciso sair do seu espaço para comprovar isso.

A comunicação é essencial para o ser humano e necessita da compreensão entre os interlocutores para que se concretize. Infelizmente, em muitos casos essas necessidades não estão sendo cumpridas e a tentativa de comunicação foge do que deveria acontecer nas interações humanas. Na verdade, o caráter dessas interações depende do campo em que ocorrem, pois o comportamento humano tende a variar em relação a quem e por qual meio se fala. Quem nunca entrou em embate com alguém após divergências entre pontos de vistas em alguma reunião de família ou numa roda de amigos? O que acontece é que esses conflitos vêm cada vez mais assumindo novos formatos e agora recebem uma aura de espetacularização.

São tempos sombrios para a política brasileira e nos damos conta disso no momento em que percebemos realidades como a intervenção militar no Rio de Janeiro, o decorrer de processos por escândalos de corrupção, prisão de inocentes e a negligência com os direitos fundamentais. Por conta disso o cidadão sente receio, surgindo assim uma necessidade de que o seu oposto agregue-se aos seus pontos de vista. Isso tem ocorrido com mais frequência neste ano por conta da chegada das eleições presidenciais. Além disso, há a confusão que se forma na mente da população causada pela grande disseminação de fake news, pois essas, atuando no campo político, cooperam para que os eleitores construam opiniões e julgamentos baseados nessas fontes discutíveis e assim, gerem dificuldades na compreensão da verdadeira conjuntura política do país. Dado isso, por conta das possíveis discordâncias entre os diferentes viéses ideológicos, as relações são facilmente abaladas. A primeira delas é o respeito.

Por conta da permissividade oferecida pelo âmbito virtual, as pessoas esquecem-se dos limites, julgam e agregam estereótipos aos que expõem preferências políticas divergentes. É bastante comum esses embates envolverem desconhecidos, porém não é descartada a ocorrência entre pessoas próximas, pois a intimidade leva a debates mais profundos e muitas vezes “as estribeiras” são perdidas junto com as amizades e o bom senso.

Quem nunca viu aquele tipo de postagem “Se você apoia tal candidato, por favor, me exclua das suas redes sociais”? Dessa forma, os internautas caminham para um ambiente virtual segregado, marcado pela convivência apenas com os que compactuam com as suas ideias. É até compreensível essa atitude, pois ninguém é obrigado a conviver com seguidores de candidatos a cargos políticos que desmereçam suas causas. Entretanto, é importante conhecer e estar atento ao lado oposto ao seu, justamente para ter conhecimento e fortalecer os argumentos.

Chega a ser engraçada toda essa realidade, porque plataformas como o Facebook, por exemplo, são um dos sítios em que mais há compartilhamento de matérias jornalísticas, principalmente sobre política. Em período de eleições, essa prática cresce. Portanto, era de se esperar uma maior politização da população, levando em conta o grande acesso do brasileiro à internet.

Os legisladores falam em regulação da internet, mas será que o problema está na falta normas? Ronda na mente do internauta a ilusão de proteção. A ilusão de que ele e apenas ele tem acesso aos seus dados e de que as suas atividades ficam restritas apenas aos amigos adicionados. Porém, essa ingenuidade é muitas vezes quebrada quando o que acontece nas redes ultrapassam as telas. É notável o caso do estagiário demitido pela empresa Cantareira Construtora e Imobiliária após ter feito postagens de cunho machista em seu perfil no Facebook. As postagens do jovem foram enviadas para o perfil da empresa justamente por alguém que tinha permissão para visualizar o conteúdo que o rapaz exibia em sua página na rede social.

Então já é de conhecimento geral que a falta de tato com a política pode ter consequências na vida real – o ataque à caravana do Partido dos Trabalhadores não me deixa mentir-, dessa forma, a internet está apenas oferecendo uma forma mais “tecnológica” e visível disso acontecer.  O poder que a internet oferece ao usuário é gigantesca e é bom que nós tenhamos consciência ao usá-la, principalmente quando se trata de divergências ideológicas, pois prejudicando as nossas relações, estaremos apenas, mais uma vez, utilizando da nossa inteligência para a autodestruição.

Felipe Ribeiro
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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