Quadrilha junina na Bahia e seu impacto para os mais jovens
por: Giovana Viana e Isadora Gomes

Marcador da quadrilha Flor do Panela. Foto: Giovana Viana
O mês de junho é um dos mais esperados pelo povo nordestino por conta da cultura, tradição, comidas típicas e o costume de dançar forró. Porém, essa espera é ainda maior para aqueles que se preparam para as apresentações de quadrilha. De acordo com o site Brasil Escola, a quadrilha é uma dança folclórica realizada durante as Festas Juninas, comuns nos meses de junho e julho. Ela é dançada em pares e conta com a música, os passos e a vestimenta do universo caipira como seus elementos principais. A quadrilha Flor do Panela, ministrada por Sérgio Dória, professor de Educação Física e faixa preta de karatê, se prepara para as apresentações em Vitória da Conquista e na cidade de Campo Formoso, desde o início do ano e conta, em sua maioria, com jovens que se dedicam para melhorar a performance a cada ano.
EXTRA!Ordinário: Sérgio, a quanto tempo você atua com apresentações de quadrilha?
Sérgio Dória: Há 24 anos.
EXTRA!Ordinário: Como surgiu essa vontade de ministrar um grupo para dançar?
Sérgio Dória: Eu dancei quadrilha em Aracajú quando adolescente. Depois, participei quando a empresa onde eu trabalhava formou uma equipe de quadrilha para os funcionários. Quando voltei a morar em Vitória da Conquista, em 97, dancei em Campo Formoso mas eu não era o marcador. Comecei a marcar quadrilha em 1999 e não parei mais, até fundar a quadrilha Flor do Panela, em 2016.
EXTRA!Ordinário: Pode me explicar o porquê da escolha do nome Flor do Panela?
Sérgio Dória: Devido a uma ilustre ex-moradora do povoado, chamada Euflozina, a fulô do Panela. Ela era uma escrava alforriada, que como conta a história, enfeitiçava os homens com a sua beleza. Morou em Campo Formoso até se tornar amante de um dos coronéis poderosos da época. Depois, ela veio para Conquista e a pedido dela, o amante investiu dinheiro na construção do hospital São Vicente. Então, em homenagem a ela, colocamos o nome da quadrilha de Flor do Panela.
EXTRA!Ordinário: Os ensaios duram geralmente quanto tempo?
Sérgio Dória: Começamos a ensaiar em janeiro. Atualmente, os ensaios são só aos domingos e ensaiamos cerca de 3 horas.
EXTRA!Ordinário: Neste ano, no total, quantas apresentações foram e serão feitas pela quadrilha Flor do Panela?
Sérgio Dória: Todo dia aparece um convite novo. Já apresentamos seis vezes esse ano, no total, serão dez apresentações. Isso porque já estamos na fase de recusar convites.
EXTRA!Ordinário: Qual é a sua opinião sobre o impacto cultural que a quadrilha traz para a sociedade?
Sérgio Dória: O impacto é grande, importante e fundamental, sobretudo para a sociedade atual, onde existe um grande incentivo a se consumir a cultura americanizada e as novas gerações são estimuladas a passar muito tempo na frente das telas vivendo uma vida virtual. A quadrilha traz essa proposta de movimento, dança e resgate das raízes culturais. Então, ela dá aos jovens uma nova perspectiva de mundo. Eu percebo que os jovens que passam pela Flor do Panela nunca mais são os mesmos. Se tornam melhores e com a autoestima mais elevada.

