O rádio na era da Internet
por: Emilly Joazeiro e Vitor Barbosa

Jailton Neri no estúdio da rádio, na qual trabalha. Foto: Vitor Barbosa
O rádio é um dos meios de comunicação mais tradicionais do mundo. Inventado em 1896, tornou-se o primeiro meio de comunicação em massa em todo o globo, uma vez que era e ainda é o meio mais popular e democrático. O rádio teve diversas mudanças ao longo de sua história e influenciou fortemente na cultura das pessoas, em épocas diferentes. Dentre todas suas mudanças, é preciso entender uma em específico, e talvez a mais importante; o rádio diante das novas tecnologias. Com a difusão das novas tecnologias, como a internet, este meio tradicional teve que se adaptar para conseguir continuar em vigor. Apesar dos desafios, as rádios conseguiram se manter entre a nova geração, é o que o Kantar IBOPE Media traz em sua pesquisa, apresentando que 83% da população brasileira escuta rádio nos dias de hoje. A pesquisa revela também um forte crescimento das chamadas Web Rádios, emissoras de rádio online. Diante disso, foi realizada uma entrevista com o radialista Jailton Neri, que trabalha na Rádio Alternativa FM 97,9 de Brumado-BA, para entender melhor as adaptações que as emissoras tiveram que fazer para continuar em ascensão no país, e compreender suas ideias acerca das vivências na rádio mediante às novas tecnologias existentes. Dentro da entrevista, Jailton Neri também comenta sobre sua vontade de unir a rádio tradicional com a Internet.
EXTRA!Ordinário: Jailton, o que te levou até a rádio?
Jailton Neri: Muitas pessoas que hoje estão no rádio vão dizer: “Eu aprendi a gostar do rádio ouvindo rádio”, e comigo foi exatamente dessa mesma maneira. Eu comecei a gostar do rádio ouvindo. Lá na área rural de onde eu venho, eu ficava olhando pra aquela caixinha de som e pensava: “Nossa, que caixinha mágica, como que as pessoas conseguem estar ali dentro, como que faz para a voz delas ir pra dentro daquela caixinha”. Aquilo me despertou uma curiosidade gigante. Ao despertar essa curiosidade, eu comecei a dar um jeitinho de me aproximar de emissoras de rádio para ver como funcionava, foi assim, aos poucos.
EXTRA!Ordinário: Quais adaptações você percebeu que as rádios tiveram que fazer para que continuassem em vigor em um século comandado pelas novas tecnologias como a Internet?
Jailton Neri: Foi interessante como aconteceu a chegada da internet dentro dos estúdios do rádio. Muitas pessoas ficaram com medo, dizendo assim: “A internet com essa força toda, vai colocar o rádio em risco, é bem provável que o rádio caia do gosto popular, que o rádio não exerça mais a sua função de um veículo de comunicação”. No entanto, o rádio não deixou de exercer, ele se adaptou. Hoje as pessoas podem ver o locutor, ir até o site ou redes sociais da rádio. Então, sintetizando, o rádio tem essa maneira de se adaptar à chegada da internet, o que é muito bom, deixa ele ainda mais maravilhoso, mais belo de se fazer.
EXTRA!Ordinário: Quais são as principais diferenças entre o rádio mais tradicional e o rádio na era da Internet?
Jailton Neri: Eu gosto de muitas metáforas, e eu vou usar a de um exemplo de que: “Aquilo que talvez esteja tão escondido, me permite fazer de qualquer jeito”. “Ah, não tem ninguém vendo, só me ouvindo”, isso dá ao locutor aquela liberdade de ir bagunçadinho pro rádio, pois, quem vai tá recebendo o material dele em casa, não vai tá vendo ele, é um ponto que já é diferente da rádio tradicional para rádio hoje com a internet. Nesse sentido, a principal diferença é que, a presença da câmera no estúdio, passou a exigir mais de nós comunicadores e comunicadoras: a postura.
EXTRA!Ordinário: Você já trabalhou em alguma adaptação da rádio na era da Internet, como a Web Rádio?
Jailton: Sim, já trabalhei. Era uma rádio que hoje eu não atuo mais nela, faz dois anos que eu trabalhei, nós tínhamos a programação na rádio e a transmissão pela web, e depois passou a ser uma Webtv. Os ouvintes entram lá no site e veem a pessoa que está no ar naquele momento, tem a opção do estúdio ao vivo. Hoje já não faço mais parte dessa emissora, dei minha contribuição por 4 anos, cresci, aprendi muito com esse trabalho lá, e depois o trabalho seguiu para outro espaço, outra emissora. Hoje eu faço parte de outra casa, né? Mas eu fiz sim parte desse momento, dessa mudança que foi muito maravilhosa, muito enriquecedora.
EXTRA!Ordinário: Você acredita que num futuro próximo a rádio perca a atenção do público para as novas tecnologias?
Jailton: Ela pode perder se ela não se adaptar. Inclusive, há rádios que não estão se adaptando e fechando as portas. A rádio quando não se adapta ela perde sim, terão pessoas ouvindo, mas a rádio tá conseguindo vender? Porque ela precisa fazer, ela precisa trabalhar com capital também, ela precisa investir também. “Ah, temos um público maravilhoso que escuta a gente”, que bom! Mas esse público consegue gerar lucro? Esse público que ouve o rádio é o mesmo que vai procurar comprar numa determinada loja? É preciso um estudo, uma compreensão de mercado nesse sentido. Então é isso, a rádio que não se adapta às novas tecnologias, tem sim grande tendência de ficar pra trás. Não o rádio como um todo, mas emissoras específicas que não se adaptarem vão correr o risco de fecharem as portas, de não gerar mais capital, de não gerar conteúdo, de não trazer mais ouvintes.
EXTRA!Ordinário: Jailton, sendo um radialista de uma rádio de cidade de interior, você sente que a rádio consegue ser mais impactante do que a Internet, ou vice versa?
Jailton Neri: Essa pergunta é bem complexa, porque a internet tem uma grande força. Por exemplo, a gente hoje tem lidado muito com as chamadas “Fake news”, as notícias falsas, e se não tivermos o cuidado de analisar o que é verdade e o que é mentira, o impacto da internet nesse ponto pode ser muito grande, pode causar tragédias. Então nesse sentido, acredito que sim, em alguns momentos a internet impacta mais que o rádio, no entanto, ele não deixa de ter sua força, é aquela famosa frase “Deu no rádio, então é verdade”.

