Projeto social disponibiliza doações para a diminuição do empobrecimento menstrual
por: Ellen Mafra, Iury Medrado e Mariana Martins

Eloysa Anjos, uma das líderes do projeto social Fluxo de Vida. Foto: Iury Medrado
A menstruação, processo fisiológico natural do corpo feminino, ainda é um tabu para a sociedade contemporânea. Devido a isso, a pobreza menstrual vem crescendo em todo o país, visto que de acordo com uma pesquisa realizada no ano de 2022 pelo Instituto de Pesquisa Locomotiva, juntamente com a marca de absorventes Always, indica que, no Brasil, 52% das mulheres já sofreram com a chamada pobreza menstrual. A falta de informação, a carência de acessos a produtos básicos de higiene durante o período menstrual e a ausência de infraestrutura adequada são aspectos que comprovam o empobrecimento menstrual no Brasil. Por esse motivo, entrevistamos a Eloysa Anjos, uma das líderes do projeto social Fluxo de Vida, que distribui absorventes e produtos de higiene para mulheres em vulnerabilidade social e econômica, em Vitória da Conquista-BA, para relatar um pouco sobre essa assistência e a sua experiência dentro do projeto.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, o que é empobrecimento menstrual?
Eloysa Anjos: O empobrecimento menstrual ele se define pela falta de recursos básicos como absorventes, coletores menstruais, sabonete, água, papel higiênico e a infraestrutura adequada, como por exemplo, banheiros bem conservados, saneamento básico.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, o que é o projeto social “Fluxo de Vida”?
Eloysa Anjos: Bem, esse é um projeto que nós vamos acolher e levar produtos de higiene menstrual para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Então nós vamos em bairros carentes, escolhemos um bairro e a gente leva esses produtos. Não só os absorventes, mas sabonetes e outros produtos que também fazem parte da higiene íntima e a gente leva para essas mulheres esses produtos para cada uma delas, para casa delas, indo de casa em casa.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, como surgiu esse projeto?
Eloysa Anjos: Esse projeto surgiu, na verdade, na Igreja na qual eu faço parte. Tem um projeto, um ministério, para mulheres que se chama “Tempo de Florescer”, e aí uma das líderes desse ministério estava assistindo uma matéria no Fantástico que falava sobre a pobreza menstrual, e aí tocou muito no coração dela essa matéria, e aí ela sentiu de criar esse projeto dentro do Tempo de Florescer, e aí nós criamos.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, sendo uma das participantes e líderes do projeto, como é para você, hoje, saber que existem diversas pessoas que sofrem de pobreza menstrual?
Eloysa Anjos: Ah! É triste. É triste, porque é uma realidade que a gente sabe que existe na cidade da gente e que a gente não vê. Não é da nossa convivência, né? A gente não vê. Eu por exemplo, não costumo ver isso perto de mim, uma pessoa que não vai para os lugares, para uma igreja, para escola, para uma faculdade, porque está sangrando e não tem algo para conter esse sangramento. Então, é triste saber que existe essa realidade aqui em Conquista também e que é muito dura, na vida dessas mulheres.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, como são adquiridos os produtos que são doados?
Eloysa Anjos: Nós temos duas estratégias. Nós temos um Instagram, que é do Tempo de Florescer em que nós postamos vídeos, nós fizemos cards e aí a gente explicou sobre o projeto. A gente também disponibilizou um pix para esse projeto, com todo o valor arrecadado para esses absorventes. E a outra estratégia foi na igreja mesmo, a gente ia em todos os cultos, ia lá na frente e comunicava a todos os membros da igreja e pedia as doações. Nós disponibilizamos caixas na entrada nas laterais da igreja e no banheiro feminino também, para que todos que chegassem na igreja, vissem a caixa e doassem. Então foram essas duas estratégias, através da igreja e através das redes sociais.
EXTRA!Ordinário: Eloysa, como é para você fazer parte de um projeto social tão importante que ajuda a população?
Eloysa Anjos: Ah eu amo, eu amo. Eu já trabalhei antes com um projeto social que se chama “Salva-vidas”, só que ele tinha um outro intuito, que era com moradores de rua. Eu já tinha costume de ir com esse braço social, mas quando eu me voltei para somente as mulheres nessa situação, foi muito forte. E para mim, foi muito importante. Eu saí de uma bolha do que eu pensava que não acontecia tão perto de mim, e é muito real e foi muito, muito importante para mim.

