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O olhar sob a maternidade na perspectiva de mães de filhos portadores de deficiência

por: Ana Almeida e Caique Oliveira

Elza Rodrigues, ex-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Foto: Caique Oliveira

 

A vivência da maternidade sob o olhar das mães de filhos com deficiência é uma grande jornada repleta de desafios e superações. Por conta disso, entrevistamos Elza Rodrigues, ex-presidente do conselho da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que tem um filho de 33 anos com espectro autista e já enfrentou muitos desafios durante sua jornada na maternidade. Elza compartilhou conosco o seu ponto de vista sobre o tema.

 

EXTRA!Ordinário: Elza, como foi para você receber o diagnóstico do seu filho?
Elza Rodrigues: Costumamos falar que a mãe de pessoas com necessidades especiais não tem o diagnóstico, nós da família percebemos. Quando percebemos isso, ficamos sem aceitação, sem saber o que fazer, sem concordar com a situação, mesmo enxergando algo diferente a gente não aceita, chamamos isso de luto. Quando a notícia chegou não foi com muita alegria.

 

EXTRA!Ordinário: Na sua jornada como mãe, como foi o processo de adaptação da condição do seu filho e como isso influenciou na sua vida geral?
Elza Rodrigues: Eu tenho 4 filhos, Junior é o terceiro, a visão começou a ser diferente dele. A primeira preocupação, pelo menos minha quando tive Junior, foi que o próximo tivesse alguma deficiência. Comecei a enxergar o mundo diferente, comecei a ter um olhar através da pessoa com deficiência que você tem em casa, através do que acontecia em volta dele. Comigo foi assim, comecei a enxergar com os olhos dele.

 

EXTRA!Ordinário: Em relação ao preconceito e aos estigmas da sociedade, você já presenciou alguma situação que seu filho foi alvo de preconceito ou atitudes preconceituosas?
Elza Rodrigues: Como eu já havia dito, o maior preconceito foi na família, o primeiro lugar que sofri foi dentro da própria família. O maior preconceituoso dentro da minha casa era o meu marido, quando busquei a APAE ele não aceitava, dizia que era lugar de doido. Sofria preconceito até com os meus cunhados. Tinha um cunhado que dizia: “Cadê meu sobrinho doidinho?”, ele se referia ao meu filho assim, “sobrinho doidinho”.

 

EXTRA!Ordinário: Quais foram os principais desafios em relação aos suportes públicos, sistemas de saúde, educação, que você percebeu que seu filho precisava?
Elza Rodrigues: No começo foi difícil, tentei buscar ajuda em Conquista e não tinha, não consegui diagnóstico de autismo aqui, mas eu também não tinha recursos para pagar. Foi quando entrei na APAE, consegui uma vaga e encontrei todo o apoio. Não tive muita dificuldade depois, porque a APAE me deu esse apoio, pois dentro está implantado esses recursos inclusive o da saúde, como psicológico, neurológico e terapêutico e educação, temos esportes, a arte e ainda tem assistência.

 

EXTRA!Ordinário: Como você se sente atualmente, depois de todas as suas experiências na maternidade com o seu filho?
Elza Rodrigues: Eu diria que é uma das melhores fases da minha vida. Ele agora como adulto, com mais entendimento, é outra pessoa. Com 33 anos, ele não é mais aquela criança que corria para lá e para cá e não parava, agitada, que gritava o tempo todo. Hoje é outro comportamento, claro, com suas limitações, mas é outra pessoa. Sinto que vencemos 70% de tudo, todos notam a diferença, na APAE, em casa, porque antes nós tínhamos que correr atrás dele o tempo todo. Agora, só tenho que levantar minhas mãos para o céu e dizer “Gratidão, Deus!”, tudo que era mais difícil passou.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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