Educação para o futuro
por: Allan Victor, Marco Ryan e Talles Rocha

Professor Caio em seu ambiente de trabalho. Foto: Marco Ryan
Essa entrevista visa descobrir a perspectiva de um profissional da educação sobre os rumos que sua área tomará no futuro, frente às inovações tecnológicas, como advento do ChatGPT e outras IA’s (Inteligências Artificiais). Visto que o ensino fundamental no Brasil ficou com uma nota 5,8 e o ensino médio com uma nota de 4,2 em uma escala de 16 no ano de 2021, segundo o Ministério da Educação, vê-se um cenário de dificuldade e constantes adaptações. Para compreendermos esse cenário, entrevistamos Caio Aguiar, professor de redação em colégio particular e professor de linguagens no IFBA (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia) de Vitória da Conquista-BA para discutir sobre o tema, já que faz referência a seu ambiente de trabalho.
EXTRA!Ordinário: O que motivou o senhor a escolher a profissão de professor?
Prof Caio Aguiar: Eu escolhi essa profissão justamente pela vontade de entender como escrever, eu queria aprender a escrever. Consequentemente virei professor e hoje gosto muito de trabalhar com interpretação e redação.
EXTRA!Ordinário: Qual foi a maior dificuldade que o senhor já enfrentou em sua profissão?
Prof Caio Aguiar: Hoje são inúmeras as dificuldades. Os fatores pessoais hoje, são às vezes querer daquele aluno uma certa maturidade, um certo comportamento e não conseguir ter. Isso se deve ao lugar onde ele ocupa, é comum lugares como o colégio, onde eu trabalho, os alunos terem uma condição maior, e nisso, o comportamento deles vai mudar. Outro desafio também é a falta de fomento à questão financeira. Hoje o professor tem uma carga horária extremamente extensa, em que é necessário trabalhar em mais de um lugar para conseguir um salário “ok”, além da alta demanda de redações para corrigir.
EXTRA!Ordinário: O excesso na carga de trabalho do professor pode diminuir com a chegada da inteligência artificial no ensino?
Prof Caio Aguiar: Sim. A questão da correção, por exemplo, acho que a inteligência artificial é um caminho que facilita. Então, no processo de correção de redação, a inteligência artificial pode colaborar, desde que tenha um aval de um profissional que avalie esse processo nas notas. Acho que, a questão do aprendizado, ela facilitaria muito e também na sinalização de erros. Porém, temos que saber até que ponto a inteligência artificial vai auxiliar ou vai ser protagonista. Ela deve ser usada como apenas uma ferramenta, de outra forma seria um problema para a educação.
EXTRA!Ordinário: Um professor da Universidade de Texas A&M University – Commerce copiou e colou os textos e perguntou ao ChatGPT se eram de sua autoria, a mesma confirmou, fazendo reprovar as teses de conclusão de todos os alunos. Como o senhor vê o uso dessa ferramenta da perspectiva de um professor de linguagens?
Prof Caio Aguiar: A grande parte [dos professores] não vai saber usar. Acho que se não houver uma política assertiva no uso dessas ferramentas, vai ser uma catástrofe, porque “a gente tá” numa lógica de rapidez e hoje, cada vez mais, queremos ser mais rápidos. Nesse caso, é justamente a ideia de que usou o chatGPT como protagonista. Enquanto tivermos uma noção de que as pessoas têm de ser muito rápidas, por conta de uma ideia capitalista, não vamos saber usar o chatGPT de nenhuma forma. Temos a percepção de que o aluno que não fez a atividade é um fracassado, por conta dessa demanda alta, inclusa no capitalismo. Essa cultura de rapidez é um empecilho também.
EXTRA!Ordinário: A educação vai conseguir se adaptar frente à essas tecnologias?
Prof Caio Aguiar: Vai sim, quando focarmos principalmente na questão de uma educação pública de qualidade, porque é na educação pública de qualidade que “a gente” vai ter uma autonomia docente. Acredito que a educação possa andar de mãos dadas com a tecnologia, desde que, os alunos tenham consciência do que estão fazendo, além de uma cultura escolar que permita essa autonomia, começando primeiro pela educação pública.

