2024.1

Juntos, no experimentar da prática jornalística

Para alguns, o jornalismo surgiu ao acaso. Nunca foi uma escolha consciente, apenas aconteceu. Na pressa de decidir o futuro ao fim do ensino médio, ou no medo de estar desperdiçando tempo, o curso apareceu como uma saída. Para outros, ser jornalista é um sonho antigo, cultivado desde a infância, e nada, nem ninguém, seria capaz de impedir essa conquista. Nos dividimos em múltiplos perfis: há os comunicativos, que sonham com os holofotes da TV; os mais reservados, que preferem os bastidores e também aqueles que ainda tentam entender o que exatamente estão fazendo aqui, no curso. Em meio a tantas identidades e percursos distintos, nos encontramos em sala de aula. E, independentemente das razões que nos trouxeram até aqui, nossos caminhos se cruzaram, e hoje compartilhamos tempo, histórias e vida.

A disciplina de Gêneros Jornalísticos chegou com um ano de atraso. A experiência, inicialmente prevista para o primeiro semestre, foi vivida apenas no terceiro, em sincronia com Narrativas Jornalísticas, ambas conduzidas pela professora Élica Paiva, uma novidade para a turma. Nossos encontros se misturaram entre contos, risadas e o compartilhamento de vivências. Foi nessa disciplina que tivemos o primeiro contato prático com o jornalismo e suas múltiplas formas de expressão. Produzimos notas, crônicas e entrevistas. Fomos atravessados por histórias de famílias que suplicam por dignidade para sobreviver e por indivíduos que lutam diariamente para que suas identidades não sejam apagadas pelo tempo. Os gravadores registraram suspiros, pausas, silêncios, aquele silêncio do outro que tantas vezes nos desafia na hora de transcrever. Durante as entrevistas, quando um entrevistado nos permite acessar sua história mais íntima, criamos um laço e, junto com ele, uma responsabilidade. E é nesses momentos que a caneta pesa, porque ela passa a carregar não só a informação, mas também o compromisso de preservar o que foi dito, com integridade, na forma de texto jornalístico.

A responsabilidade ética e o compromisso com a verdade acompanharam cada passo do nosso processo. Em tempos de inteligência artificial, pode ser tentador recorrer ao fácil, ao texto que nasce em segundos, a partir de um comando. Mas, aprendemos que escrever com a alma ainda é o que nos diferencia das máquinas. Que o texto precisa ser mais do que uma combinação de substantivos, verbos e pontuações. Ele precisa pulsar. Descobrimos que o jornalismo nasce no olhar, na escuta atenta, na coragem de sentir. Que até mesmo a corrida atrás do ônibus atrasado pode ser uma boa história.

Talvez ainda não compreendamos por completo o que, de fato, seja o jornalismo e muito menos o porquê de tê-lo escolhido. No entanto, ao final da disciplina, percebemos que estamos no caminho certo para algo especial. Que, além de escrever, aprendemos a sentir. Que o que vivenciamos aqui siga conosco ao longo da jornada, mesmo que um ou outro decida deixar a área pelo caminho. Afinal, o aprendizado que levamos dessa experiência vai além da técnica e da gramática, ele toca a construção da nossa essência. E, no fim das contas, é disso que o jornalismo também é feito: da alma humana. É tudo isso que você vai encontrar nos textos da turma 2024.1, desta edição 2025.2 da disciplina Gêneros Jornalísticos!

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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