O Time do Povo
Falar sobre o Sport Club Corinthians Paulista é navegar no mar das paixões. Nenhuma grandeza oceânica, a princípio, pode ser equiparada ao tamanho de sua história. Corinthians é verbo, verso, prosa e poesia; seu maior patrimônio é uma torcida fiel que ecoa por toda parte do globo. Ser Corinthians, como disse o ídolo do clube Sócrates, é ir muito além de ser ou não ser o primeiro. Seu povo vibra antes de qualquer gol: a sua existência, sua resistência. Resistir, o dicionário classifica como “não ceder diante das forças contrárias”. Disso este clube entende. Dentre tantos golaços, se opor à Ditadura Militar no Brasil foi o mais antológico feito por um clube que se mostrou fiel às suas origens operárias. “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”, a faixa estendida na final do Campeonato Paulista de 1993 está eternizada nos milhões de corações alvinegros.
Ninguém escolhe torcer para o Corinthians. É o Corinthians que escolhe seu torcedor. Uma relação de pertencimento de um povo que transforma o amor em um estado de espírito, uma nova forma de enxergar a vida. O Sol nasce mais bonito nas segundas após uma vitória do Timão; os pássaros cantam mais alto como forma de festejo; as ruas parecem mais felizes; o dia a dia é mais leve, tudo se transforma quando as coisas ocorrem bem pelos lados do Parque São Jorge. De Zé Maria a Romarinho, o sangue sempre esteve marcado no uniforme, e o vermelho, que não é bobo nem nada, buscou se fazer presente diante do manto alvinegro. As manchas traduzem a raça, um valor inegociável na história do clube. No primeiro dia de setembro de 1910, cinco operários decidiram fundar um time. Um amor que vai além de uma pessoa ou de um grupo, um amor para além de um time de futebol, uma nova forma de levar a vida.
As lágrimas e os risos se entrelaçam nesta experiência sobrenatural que é torcer para o Coringão. A tristeza diante das derrotas e eliminações também marca presença, mas, obviamente, não faz morada nos loucos fiéis. O amanhã há de sempre vir; a esperança brotará trajada de preto e branco, protegida pelas armas de Jorge, para acalentar sua torcida fiel. Com o devido perdão à Língua Portuguesa, mas ela ainda não encontrou nenhuma forma de explicar o significado deste ato revolucionário que é ser Corinthians. Nem mesmo uma crônica com uma palavra rebuscada ali, outra acolá, chegará perto da tradução de tamanha carga sentimental.

