crônicas

Eu não sei ser estudante de jornalismo: a quem serve as metodologias ativas de ensino?

“Tô sem tempo irmão, sem tempo. Tô sem tempo irmão, sem tempo. Tô sem tempo irmão”. O refrão cantado por Mariah Nala na música “Sem Tempo” resume a vida acelerada de inúmeras pessoas. Não obstante, encontro-me diariamente sem tempo. Eu sempre quis ter uma vida corrida, e a minha vinda a Vitória da Conquista para estudar Jornalismo na Uesb me proporcionou esse sonho. Mas, agora que vivencio a vida no automático, anseio pelas folgas aos sábados e domingos. Afinal, eu só quero desacelerar! A atividade que mais consome meu tempo é a graduação, quase na metade dela, eu tenho alguns comentários sobre o processo formativo proposto. As minhas críticas, referem-se, principalmente, ao modelo de ensino que torna-me o protagonista do conhecimento.

A essa carga horária extra que acaba deixando meu tempo ocupado e sem espaço para lazer, exercícios físicos e descanso. Retomo a frase de Mariah “tô sem tempo irmão”. Eu que chego em casa à noite só quero afundar a minha cabeça no travesseiro depois de mais um dia corrido. Ainda assim, tento resistir a esse ato para conseguir absorver o conteúdo da aula. Outras vezes eu falho e acordo mais cedo, para realizar tal fim durante a madrugada. O artigo ou capítulo do livro para a próxima aula que se inicia dentro de poucas horas, não vai ser ensinado mesmo. Então, me viro para tentar aprender em casa, o que não vai ser ensinado em classe, com o objetivo de chegar na sala de aula já sabendo o conteúdo. Para, no fim, ser inserido em mais uma dinâmica aleatória das tais metodologias ativas.

Eu não sei ser estudante de Jornalismo, tem momentos que não consigo ser: ser aluno, ser estagiário, ser dono de casa. No final do dia, só gostaria de dizer que sim. “Eu aprendi o que é lead, pauta e fonte”. Mas digo que não, pois eu tenho que mandar áudios em grupo de Whatsapp definindo esses conceitos, baseado em meu aprendizado autônomo, de caráter duvidoso. Foram 13 anos estudando o ciclo básico aos moldes da educação tradicional. Ao chegar no ensino superior, eles nos submetem a uma logística de sala reversa, que pouco agrega. Sem aviso prévio, sem saber como devo me comportar, sem saber como se estuda. O professor, nesse modo, é só o mediador do conhecimento, sua função é dar indícios, trajetos, caminhos, possibilidades.

No fim do dia, reflito que o docente nem é o personagem redondo da sala de aula, assim como na grande reportagem o professor é o personagem plano, que entra na história para encher linguiça. Sim, ele é aquele personagem simples, construído em torno de uma única ideia, sem profundidade. A ausência dele no processo formativo dos estudantes é vendida como autonomia. A quem serve as metodologias ativas afinal? Bom, a mim não serve! Mas eu continuo tentando, porque eu quero aprender, eu quero ser jornalista. No entanto, ainda não sei ser estudante de jornalismo, nesse modelo ativo, em que a responsabilidade do desenvolvimento de competências técnicas é jogada no meu colo e ainda esperam que eu agradeça. Agora, encontro-me escrevendo uma crônica! Me pergunte, se eu aprendi a fazer crônica. Não, o santo Youtube mais uma vez salvando vidas.

Arthur Vitor
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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