A canção que se repete
Ontem, ouvi novamente a canção que sempre se repete. Peguei meu fone de ouvido, abri o aplicativo de música e fui direto à minha playlist, aquela que contém dezenas de canções, de artistas variados. Mas, mais uma vez, escolhi ela: “Ojitos lindos“, do Bad Bunny.
Talvez porque esteja gravada no meu subconsciente. Talvez porque aquele laço emocional que criamos tenha feito dela algo único. Os primeiros acordes me atravessam como um eco do passado, e eu já sei: estou prestes a viajar no tempo.
O balanço do ônibus, o cheiro abafado da tarde e um bom livro nas mãos. Comecei a apreciar a leitura. Cada verso da canção se encaixava em alguma memória, e cada palavra do livro parecia um espelho daquilo que já fui.
Por um instante, voltei no tempo. Voltei à menina cansada depois da aula, com a mochila pesada de livros e incertezas. Me vi, outra vez, com medo do que o futuro me traria após o fim do ensino médio. Era como se Bad Bunny cantasse para aquela versão de mim, frágil, sonhadora, cheia de perguntas.
“Tranquila, no tiene que ser perfecto, no“, ele canta. E eu, silenciosamente, respondo: não, não era. Mas talvez seja o que eu precisava.
A nostalgia me abraçou com força. Percebi que aqueles medos e ansiedades foram apenas devaneios de quem ainda estava aprendendo a existir no mundo. A vida não veio com respostas, mas trouxe caminhos. E, com eles, outras canções, outros capítulos, outras versões de mim.
Mas aquela música… Ah, aquela música continua a se repetir. Porque algumas canções não são só sons, são portais.

