crônicas

Noveleiros

Se você perguntar para minha avó qual a novela favorita dela, ela irá responder que odeia todas. Se perguntar para minha mãe, ela dirá que o sonho dela era ter o cabelo igual ao das personagens de Glória Pires em Mulheres de Areia. Já meu pai diz que não gosta de assistir às novelas, mas todas as noites, ele chega em casa e toma um banho rápido para não perder o novo capítulo da novela das nove. E sim, todos eles têm essa mania. A gente pergunta uma coisa e eles respondem outra coisa totalmente diferente.

Mas a verdade é que as novelas da TV Globo fazem parte da memória afetiva dos brasileiros. Depois do almoço, um personagem lá dos anos 80 faz os corações das mulheres se apaixonarem. E lá para as 17h, depois dos bons, velhos (e repetitivos) filmes da Sessão da Tarde, mais duas novelas fazem valer a pena ver de novo.

Nas sextas-feiras, o debate sobre quem vai matar Odete Roitman nessa nova versão é sagrado. Cada um de nós dá um palpite diferente. Enquanto isso, eu, no auge dos meus 19 anos, sempre digo que não vou assistir a nenhuma novela sempre que uma nova começa. Três dias depois da estreia do primeiro capítulo, me pegam no flagra cantando a música de abertura.

E nesse lenga-lenga, após o importante debate, minha avó decide levantar para fazer um chá para acalmar os nervos depois de mandar todas nós irmos embora com belas palavras de afeto (para não dizer o contrário). Então, ela lembra da novela das 18h: “Misericórdia, a novela da menina do Raul Gil já começou?” Exigindo assim, que a gente só vá embora quando a última parte do capítulo acabar.

Por fim, após o término desta longa novela de toda semana, a conclusão a que chegamos é que queríamos mesmo ser uma das “Helenas” de Manoel Carlos andando pela praia de Copacabana às 14h da tarde. Podemos não ser ricas de “Inshalá”, mas pode ter certeza que de repertório, e de saber da vida de todos os personagens de qualquer novela, somos bilionárias.

Bárbara Almeida
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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