Onde pisa um pé pequeno, nasce um mundo novo
Atlas tem só sete anos, mas carrega o mundo no nome e um universo inteiro nos olhos. Às vezes, me pego observando ele brincar como quem assiste a um filme bonito, desses que não precisam de efeitos especiais para encantar. Um carrinho na mão, um dinossauro na outra e o quarto vira floresta, cidade, vulcão. Ele fala sozinho, inventa vozes, cria histórias que eu nunca pensaria. E olha que sou adulta, com mais livros lidos do que ele tem de brinquedos espalhados pelo chão.
Outro dia, ele me perguntou se as nuvens dormem. Eu respondi que sim, mas quem dormiu fui eu, mergulhada nessa pergunta que não tem pressa de resposta. Criança tem dessas: faz a gente lembrar do que esqueceu. Lembrar que a vida pode ser vista de joelhos no chão, com os cotovelos sujos e a alma leve.
Com Atlas, eu redescubro o mundo em miniatura. Um botão vira tesouro, uma caixa vira nave, uma pedra vira planeta. Tudo é possível. A infância dele me invade, me sacode, me ensina que crescer não é perder a leveza. É saber carregá-la, mesmo quando o mundo pesa. E quando ele dorme, feito passarinho deitado no ninho de coberta, eu penso que a infância passa rápido, mas deixa raízes. E o que a gente planta agora vai florescer dentro dele, pra sempre.

