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Sobrevivência e coragem: a história de Luciana contra a violência doméstica

por: Arthur Vitor, Anna Nazco, Jaiane Rios e Sarah Andrade

Luciana Santos Almeida sendo entrevistada pela equipe. Foto: Sarah Andrade

Luciana Santos Almeida é uma mulher que carrega na palavra “sobrevivência” o resumo de uma vida marcada por violências silenciadas e superações solitárias. Fugiu de casa aos 14 anos, tornou-se mãe ainda na adolescência e enfrentou, por anos, um relacionamento abusivo não tendo uma rede de apoio.

Sem denúncia formal, sem escuta da família e com medo como companheiro constante, foi nos filhos que encontrou forças para romper o ciclo. Hoje, aos 47 anos, é empresária e avó de um garotinho e vive uma vida tranquila. Luciana olha para sua trajetória com orgulho da força que teve para seguir viva, e com a certeza de que violência doméstica não tem rosto, nem justificativa.

EXTRA!Ordinário: Você contou para alguém logo de início?
Luciana Santos Almeida:
Não. Fugi de casa aos 14 anos de idade. Tive meu primeiro filho aos 16 e o segundo aos 19. No meu entendimento, porque foi eu quem decidi sair de casa cedo e que não fiz uma boa escolha, ninguém tinha nada com isso. A escolha foi minha. Portanto, eu não gostava de compartilhar as amarguras que sofria em casa com ninguém. Nem com minha família.

EXTRA!Ordinário: Quando você percebeu que estava em um relacionamento abusivo?
Luciana Santos Almeida
: Quando houve discussões mais agressivas (com ofensas verbais) e violência física.

EXTRA!Ordinário: O que mais te marcou durante esse período?
Luciana Santos Almeida:
O medo! Durante o relacionamento, a casa só tinha paz quando ele não estava. Quando dava final de semana, que era quando ele chegava, tudo mudava. Depois foi o medo da aproximação. Até hoje, mesmo depois de quase 15 anos, ainda tenho medo. Não só dele, mas de todo e qualquer sinal de alteração de comportamento, dele ou de outro.

EXTRA!Ordinário: Como foi o processo de sair dessa situação?
Luciana Santos Almeida:
Muito difícil. Tentava de todas as formas sair de maneira amigável, mas não tive sucesso. Até que houve traição da minha parte como forma de retribuição à traição por parte dele, aí a coisa ficou insustentável. Daí a violência só aumentou e eu fugi para outra cidade.

EXTRA!Ordinário: Qual foi o estopim para buscar ajuda?
Luciana Santos Almeida
: Nunca busquei ajuda! Nunca tive ajuda de ninguém. Nem minha mãe ou qualquer membro da minha família sabia do ocorrido. E quando falei para a irmã dele, com quem eu tinha aproximação, ela me falou pra não prestar queixa porque a família não ia ficar do meu lado, pois não gostavam de escândalos ou delegacia. Portanto, não sei o que é “ter ajuda” em casos de violência.

EXTRA!Ordinário: O que mais te ajudou na recuperação emocional?
Luciana Santos Almeida:
Meus filhos! Precisava ser forte, sobreviver para cuidar deles!

EXTRA!Ordinário: O que você diria para quem está vivendo o que você viveu?
Luciana Santos Almeida:
Que tome as decisões corretas! Sempre levando em conta o que ela mais ama!

EXTRA!Ordinário: Hoje, como você enxerga a Luciana de antes?
Luciana Santos Almeida:
A Luciana de antes era nova, inexperiente e ainda acreditava na mudança das pessoas. Não tenho o que reclamar dela! Só agradecer por ela ter sido forte e sobrevivido até aqui!

EXTRA!Ordinário: E a de agora?
Luciana Santos Almeida:
Uma sobrevivente que aprendeu muito ao longo dos anos e continua aprendendo! Para entender melhor os homens, passei a pensar como eles. Hoje eu consigo entender um pouco da mente masculina. Inclusive li alguns livros sobre o assunto e estou sempre estudando o comportamento humano em geral.

EXTRA!Ordinário: Qual é o maior mito sobre relacionamentos abusivos?
Luciana Santos Almeida:
Que o abusador/abusadora vai mudar! Não mudam! Você se adapta e se cala! Só isso…

EXTRA!Ordinário: Qual palavra você usaria para representar a sua história?
Luciana Santos Almeida:
Sobrevivência!

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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