crônicas

Primeiras vezes

Quando pequena, mergulhada em livros de pré-adolescentes que narravam suas “primeiras vezes”, o primeiro dia de aula, o primeiro celular, o primeiro beijo, o primeiro emprego, percebi que em nenhum deles eu aprendia como agir diante dessas experiências. Lembro-me de estar no quarto que dividia com minha irmã, afundada na poltrona rosa e felpuda, devorando o diário da Larissa Manoela. Diante da vida aparentemente perfeita que ela descrevia, eu sempre me perguntava: onde ela aprendeu a fazer tudo isso? Desde pequena, sempre tive dificuldade em começar algo. Na maioria das vezes, eu me sentia perdida em ambientes novos. Eu me questionava: “Como me portar? Como falar? O que devo dizer? Devo perguntar algo? O que devo fazer agora?” Diante de tantos questionamentos, eu me recolhi por medo, o medo do novo. Assim cresci, vivendo em minha própria bolha e fazendo apenas as coisas em que já me considerava “veterana”. Até que um dia eu resolvi experimentar um sabor de sorvete novo pela primeira vez. Sempre gostei de chocolate com doces da Fini por cima, mas o sabor que encheu meus olhos dessa vez era diferente. Era um sorvete de morango que, por algum motivo, me atraiu e eu decidi provar. Quando o coloquei na boca, uma explosão de sabor me fez questionar: “Por que o medo do novo, se o “novo” era algo tão bom?” Depois disso, perdi o medo das primeiras vezes. Com essa atitude, aprendi a andar de bicicleta, descobri que gostava de handebol e não de balé, que amava cenoura e que existiam outros filmes da Barbie que também eram bons. Hoje, agradeço à mini eu de 7 anos, que me faz querer viver cada vez mais “primeiras vezes”.

Beatriz Sousa
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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