PRESENÇA
Naquela tarde, a energia acabou, a geladeira desligou, as luzes não acendiam e a internet não funcionava. Olhei pela janela do meu quarto e vi os pingos de chuva caindo sobre a terra, com seu cheiro característico agora presente em toda a casa.
Mais tarde, naquele mesmo dia, a energia não tinha voltado. Meu pai aqueceu água para que pudéssemos tomar banho, mas não seguimos nossa rotina habitual. A dele, de ligar a TV, esquentar o jantar e ficar no sofá assistindo a algum programa que passava naquele horário. E eu, não fui para o meu quarto acompanhar a série que estava assistindo.
Naquela noite fria, acendemos velas para iluminar a casa, fui para o sofá e nos embrulhamos nas cobertas. Ficamos conversando por horas sobre vários assuntos, colocamos o tabuleiro de damas no sofá e jogamos. Nos aquecemos com café com leite e foi assim que passamos o tempo.
Em consonância com barulho da chuva fina, estava eu, perdendo vergonhosamente nas damas, mas rindo, e meu pai, contando sobre sua época de juventude. Naquele dia em que ficamos sem energia elétrica e sem a automatizada rotina costumeira, tivemos aquele momento em que nós dois estávamos presentes, um para o outro, como deveria ser, sempre, entre pai e filha.

