Eu só queria brincar com os meus velhos amigos da antiga escola
Em um dia qualquer de 2015, minha mãe falou que no outro dia, eu sairia mais cedo da escola e ficaria com a chave de casa, pois chegaria primeiro que todo mundo. Logo fiquei entusiasmado com essa notícia, já imaginei comendo aquele leite em pó misturado com leite condensado, deitado no sofá assistindo desenho e mexendo com fogo, até porque, eu era quieto, porém ardiloso nas traquinagens.
No dia seguinte, tomei meu café com leite e pão com margarina, peguei a mochila e minha mãe me levou para a escola. No meio do caminho, ela me alertou dizendo para quando chegar, trancar a porta e não abrir para ninguém, tomar banho e esperar que ela ou minha avó chegasse para preparar o almoço. Chegando na escola, fiz o básico: estudei, fiquei conversando na sala e aguardei a hora de sair, pois não haveria a hora do recreio.
Ao final da aula, fiz o caminho inverso e passei por algumas ruas, até chegar em uma avenida conhecida pelo nome de “rua larga”. Ao virar meu olhar para a esquerda, observei minha antiga escola, onde estudei do maternal até o segundo ano do fundamental, e pensei, por que não passar para brincar com os meus antigos colegas? Dito e feito, bati naquele portão e por incrível que pareça, eles me deixaram entrar. Falei com todo mundo e eu sabia que era o horário do recreio deles. Me permiti ficar brincando ali, afinal, a minha mãe e minha avó demorariam para chegar, não é mesmo?
Quando o recreio acabou, saí de lá e fui para casa na maior paz de espírito, não só por ter relembrado as brincadeiras, mas também porque eu ficaria em casa sozinho. Ao chegar, fiz o que minha mãe me falou, mas quando estava trocando de roupa, meu tio-avô bateu na porta e ele me contou que minha mãe estava extremamente preocupada e estava achando que eu tinha desaparecido. Naquele momento, eu fiquei com muito medo e eu estava pensando que ia apanhar bastante e de chinelo. Horas antes de eu voltar para casa, minha mãe chegou primeiro em casa, pois estava com a cópia da chave que pertencia a minha avó e ela esperava me encontrar lá, mas percebeu que eu não havia chegado ainda. Depois de poucos minutos que meu tio explicou a situação, minha mãe chegou desesperada, com lágrimas nos olhos e me abraçou bem forte, seguido de vários sermões, o que me fez ficar surpreso. Só sei de uma coisa, nunca mais eu fiz isso de novo.

