crônicas

Consideração: ato ou efeito de considerar algo

Quem será que inventou o termo “irmão de consideração”? E quando a palavra “consideração” passou a ser tão frágil e desvalorizada?
As pessoas ficam surpresas quando eu digo que tenho um irmão. “Mas é irmão de sangue?”, questionam, “Não, de consideração” respondo, preparada para respostas que me farão questionar se laços de sangue valem mais do que o sentimento de acolher alguém que, até alguns anos atrás, era um desconhecido.
Parece simples compartilhar o mesmo ventre, crescer sob o mesmo teto e dividir o quarto entre brigas e reconciliações. Pelo menos, imagino que seja. Apesar de ter três irmãos de sangue, vivi como filha única até os 13 anos, quando conheci o Lucas. Ele mora em Salvador, o lugar onde mais gosto de estar. No entanto, a distância de nove horas nunca foi um obstáculo. Compartilhamos a rotina, os altos e baixos, as amizades e os romances.
Com o passar dos anos, o tempo deixou de ser apenas uma contagem de dias para se tornar o fio que teceu nossa irmandade. Ter saído ou não do mesmo ventre que Lucas não faz mais diferença agora, eu enxergo uma beleza esplêndida na palavra “consideração” e acho ela mais linda ainda quando colocada em prática.
Um dia, escolhemos que seríamos irmãos, provando que a irmandade não é apenas uma questão de origem. O tempo passou e ainda estamos aqui, considerando um ao outro todos os dias.

Lavínia Marinho
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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