crônicas

Florbela: e ronronado misterioso

Por Florbela era uma menina que cultivava um desejo latente de conquistar seu primeiro felino. Esse sonho surgiu no berço dos desenhos animados, quando assistiu sua animação favorita, Cinderela, que convivia com o mascote favorito da sua madrasta, Lúcifer. O gato, apesar de seu comportamento egoísta, fazendo jus ao seu no, passou a habitar a imaginação de Florbela e, aos sues seus olhos, Lúcifer era felpudo, seus olhos redondos expressivos eram de um tom de verde-escuro apagado e seu corpo gorducho com sua linda pelagem preta era perfeita. Foi quando nasceu sua primeira obsessão

Todos os dias, ao voltar da creche, via-se mergulhada no seu próprio mundo, onde os gatinhos o dominavam. Sua mente já tinha decidido que iria conquistar essa alegria que batia no peito. Quando a menina esboçava um sorriso de canto de boca, a mãe já sabia o que iria se suceder: o velho assunto. Era como um céu azul no dia de sol; a menina iria desabrochar suas emoções sobre seu mundo particular e argumentava que sua realidade seria mais colorida com a companhia de uma gata. Sabia que não seria uma batalha fácil, mas era uma guerra que valeria a pena participar.
Sabia que sua mãe não teria tal admiração pela felina, como Florbela , que poderia ser considerada devota de Bastet, deusa do Egito antigo. Entanto. Tinha consigo uma estratégia: a consistência. Em sua mente, mantinha dezenas de monólogos pré-prontos, construídos com seu conhecimento advindo da televisão. Mas sua mãe também mantinha consciência de suas vontades e ludibriava contra a pobre garotinha, com esperança infundada, ou expunha sua perspectiva sobre os felinos, afirmando que ‘eles não eram tão legais quanto ela sonhava e que ela não conseguiria cuidar de uma gata de forma adequada” No entanto, Florbela não desistiria por tão pouco.
Certo dia, a menina discorria seu monólogo, sua imaginação peluda; a mãe ouvia com atenção, como de costume, e respondia à pequena: ‘Quando você chegar em casa, irá ter uma pequena surpresa’. A frase era costumeira e mantinha a menina atenta e feliz, mesmo após ouvi-la várias vezes em diferentes reformulações. Ela sentia que não podia perder as esperanças; seus olhos brilhavam e sonhavam com essa alternativa. Para sua surpresa, “naquele dia” ao chegar em casa, encontrou uma pequenina gatinha de pelagem branca, dormindo em cima de uma almofada, dentro de uma caixinha. Florbela tinha imaginado de todas as formas possíveis, mas nada era comparado a tão pequena, tão frágil e tão carinhosa, tão perfeita, como a primeira vez que viu sua paixão em carne e osso. Foi amor à primeira vista, exatamente como havia idealizado.

Lorraine Silva
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


Acesse o site anterior.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia