crônicas

As viagens de Alfredo

Meu avô vivia me contando histórias fantasiosas de sua juventude, de como ele viajava para os mais diversos lugares desse planeta com seu barco. Nunca levei muito a sério, sempre achei muito fantasioso. Confesso que o físico barrigudo e as dores na coluna que ele sentia não passavam muita credibilidade. Até aquele fatídico dia…
Quando meu avô faleceu, a minha família ficou responsável por limpar e organizar a antiga casa dele, foi quando eu tive acesso ao porão da casa. Ele nunca me deixava descer no porão. Dizia que só quando eu estivesse realmente pronto eu teria acesso. E esse dia chegou. Ao abrir a porta do porão, o cheiro de velharia se misturava ao cheiro de mofo. Ao mesmo tempo que esse cheiro me espantava, me instigava mais ainda a descobrir o que tinha lá. Respirei fundo e entrei. De início, eu não entendi nada. No porão, tinha várias coisas aleatórias, diversas armaduras, uma katana, uma bandeira da Jamaica, um timão????
Muitas coisas interessantes, mas o que mais me chamou a atenção, além da quantidade enorme de poeira, foi um baú. Ele era enorme e feito de madeira, entalhado com diversos adornos que pareciam maori. Quando abri o baú, me deparei com vários itens, mas o que me prendeu a atenção foi um pergaminho. Para sanar minha curiosidade, puxei o pergaminho do baú, bati um pouco da poeira e abri.
Dentro desse pergaminho, notei que havia uma coordenada: “61º25´10.8”N 6º45´28.9”W” e uma frase: “Onde o vento sopra mais forte, e a grama é mais verde, você encontrará tudo que um dia foi meu.”. No canto do pergaminho, tinha uma assinatura: “A.A.”, lembrei imediatamente que era essa a assinatura do meu avô Alfredo. Logo me lembrei das suas histórias e de como ele e seu amigo Roger viajavam desbravando o mundo em sua embarcação. Tudo fez sentido:, meu avô realmente fora um pirata.
Saí de casa correndo, avisei meus pais que precisava ir para o cais em busca de alguma resposta, eu precisava achar aquele barco velho. Ao chegar no local, vi o estivador mais velho da cidade, fui correndo perguntar para ele o que ele sabia sobre meu avô. Ele disse enquanto apontava para o outro lado do cais: “Olha, jovem, seu avô era um cara meio misterioso, mas acho que o deck dele é aquele ali.”.
Agradeci pelas informações e parti para o deck do meu avô. Quando cheguei, deparei-me com a velha embarcação do meu avô, e ela estava em ótimo estado. Entalhado no barco estava escrito Oro Jackson, nome do barco que meu avô me contava nas histórias dele.

Luan Pereira
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


Acesse o site anterior.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia