No final, valeu mesmo a pena?
Era quinta-feira quando, de manhã, saí da minha casa e pedi um carro em um aplicativo. Eu estava indo para o aeroporto da cidade vizinha. Não era a primeira vez que eu estava fazendo aquilo, mas era a primeira vez que eu não estava totalmente feliz com aquela situação. O meu estômago estava embrulhado, minha respiração descompassada e a minha mente me perturbando com variados tipos de pensamentos.
Nervosismo, ansiedade e, principalmente, medo, muito medo. “Eu estou fazendo a escolha certa? Será que eu sou nova demais para estar tomando uma decisão como essa? E se der tudo errado? E se eu me arrepender?”. Foi o que passou na minha cabeça nas duas horas que passei dentro do avião.
Ao chegar no aeroporto de destino, olhei em volta na sala de desembarque. Os sotaques e os estilos de roupa eram diferentes dos meus. A reação daquelas pessoas ao chegar naquele aeroporto também era diferente da minha; o sorriso estava estampado nos lábios delas, estava claro que elas estavam aliviadas por estarem ali. Eu estava preocupada, ainda presa às reflexões que tive durante o voo.
No salão principal, fui recebida pelos meus tios e minha prima. Assim como as pessoas que chegaram no mesmo voo que eu, eles sorriram, aliviados ao me ver. Recebi abraços longos e apertados, que denunciavam a saudade deles por mim. Foi ali, então, que finalmente desabei em lágrimas.
Hoje, refletindo sobre esse dia, não julgo o que a Luísa de 11 meses atrás estava sentindo. Algumas vezes ainda me questiono as mesmas coisas. ‘Valeu realmente a pena? Eu fiz a escolha certa?’. Diferente daquela época, agora possuo respostas para estas perguntas.

