crônicas

Quando me tornei adulto?

Tenho dançado com essa pergunta nos dois últimos anos. Depois que a gente termina o ginásio sempre fica aquele grilo maldito no nosso ombro, nos enchendo de dúvidas “o que faremos agora?”. O que se faz após alcançar os tão almejados 18 anos? Ou o que se pensa ou muda quando alcançamos os tão esquecidos 19 anos? E depois dos 20? O que faremos?
A consciência de que me tornei uma adulta não veio assim que soprei as velinhas, mas sim quando me jogaram para fora da minha realidade idealizada. Trabalho, estudo, rotina e relacionamento. Conheci outras vidas, de outros adultos, esses que eu tanto quis experimentar ser, viver, errar e chorar tal qual uma criança. Parei de fantasiar.
Agora, adulta, nada acontece de repente. Me torno adulta a cada dia que aprendo a viver comigo mesma, com minhas próprias pernas. Não minto, é apavorante, mas tenho me descoberto uma grande aprendiz. Não é um pesadelo, apenas o processo natural de como tudo caminha. Viver não fica chato quando você se torna ranzinza, nem perde a magia quando você para de assistir filmes da Disney. Ainda se vê magia naquilo que é cotidiano, ainda se vê felicidade em pequenas ou grandiosas coisas, ainda há tanto pela frente que minha criança interior pula de ansiedade ao pensar no caminho que ainda poderei traçar daqui para frente.

Rayane Lima
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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