Solidão
Solidão
Por Beta Lima
Foi um post do Instagram que fez a Bárbara se sentir ainda pior.
“É possível que na vida, ou na mente das pessoas, coisas tomem lugar de outras coisas, pessoas tomem lugar de outras pessoas, lugares tomem lugar de outros lugares e por assim em diante. Aprenda a aceitar a beleza disso”, dizia o post.
Para alguém que mal conseguia assimilar o que estava sentindo, essa possibilidade era impossível. No dia anterior, Bárbara havia enterrado Bilu, seu gato e companheiro há 6 anos. O falecimento havia mexido com os sentimentos da garota de modo que ela não sabia explicar.
Bárbara tirou um dia longe dos estudos para colocar sua cabeça no lugar, agora, se encontrava deitada sob seu sofá de veludo, fones em seus ouvidos, e olhos que vagavam pela sala. Não deveria doer tanto assim, não é?. Ela dizia para si mentalmente, repetidas vezes. Era só um gato. Sua mãe havia lhe dito o mesmo, assim como sua irmã, na tentativa de consolá-la. Mas nada disso a fazia se sentir melhor, apenas mais confusa. Ninguém parecia entendê-la. Nem sua família, nem as redes sociais, que sempre tinham algo a dizer para a mesma em momentos de tristeza. Uma mensagem motivacional, um vídeo que validaria seus sentimentos, qualquer coisa.
Bárbara se sentia sozinha em seu luto, se sentia sozinha em seu apartamento universitário de 5 cômodos. Bilu esteve ali por quase uma década, e agora não havia mais ninguém, apenas ela.
E então ela chorou. Pela primeira vez em meses. Chorou por seu gato, chorou de saudades, por exaustão, chorou por seu sentir extremamente egoísta quando percebeu que estava chorando por se sentir sozinha, e não apenas por perder seu companheiro. As lágrimas caiam quentes e grossas por seu rosto, e Bárbara não se importava em secá-las. Seus fones estavam altos o suficiente para que ela não conseguisse ouvir o mundo exterior, mas seu choro era alto, doloroso. Uma alma que se sentia tão solitária cujo único companheiro se foi, o que faria agora?, sentia-se tão boboca por chorar por algo tão pequeno, mas a solidão era tão grande, não havia possibilidades de sentir-se de outra forma.
Temia que a solidão tomasse todo o espaço em seu peito. Seu choro se acalmava conforme os minutos se passavam, até cessar, e então seu celular tocou do outro lado do apartamento. Sem vontade, Bárbara não se moveu do sofá, esperaria até que o celular desligasse. Mas a pessoa que ligou era insistente. O celular parou e logo retornou, o blim blim ecoava do seu quarto.
Irritada, a garota se levantou e andou até seu quarto, sentindo um pouco de tontura por levantar-se rapidamente. Quando pegou seu celular, “Mia” a ligava e ela logo atendeu, não teve tempo de dizer nada, apenas ouviu sua amiga dizer “Estou na portaria, me deixa subir. Você não deve ficar sozinha depois de tudo”. Um sorriso cansado surgiu no rosto da garota “Ok”, ela disse, e talvez, não se sentisse mais tão sozinha assim.

