crônicas

O homem do caminhão gigante

“O homem do caminhão gigante”, era assim que eu o apresentava para as pessoas. O homem do caminhão gigante era meu tio, terceiro filho da minha avó paterna. Rogério Santos era um caminhoneiro ferrenho, apaixonado. Seu amor por carros e seu cuidado com seu caminhão eram suas características mais fortes. Todos que o conheciam, conheciam aquele gigante caminhão.

Sempre que recebia a notícia de que iria me visitar no Rio de Janeiro, aquela ansiedade boa preenchia meu coração. Os inesquecíveis momentos de quando meu amado tio Roge chegava iluminando a nossa casa, sempre agitado, nos presenteando com comidas do interior baiano, viverão sempre em meu coração. Não existia tristeza, não existia tempo ruim. “Mainha, chame todo mundo, vamos assar carne!”, ele dizia para minha avó. “Vamos, Railton! Tem cerveja na geladeira” falava para meu pai, quando chegávamos de viagem em sua casa. Agora, as reuniões em família não terão sua alegria.

19 de outubro de 2025 será lembrado para sempre como o dia em que parte da alegria da nossa família se foi junto com ele. A angústia que senti naquela noite de domingo, quando recebi a ligação da minha mãe desesperada, foi cruel. O homem do caminhão gigante tinha partido, em uma tarde de domingo, junto com seu gigante caminhão.

Agora, sem você, preciso encontrar a melhor forma de seguir em frente. Te levo comigo no coração, e na lembrança levo sempre você e seu caminhão.

Sofia Rezende
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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