Como a arte influencia na vida dos moradores de Vitória da Conquista?
por: Ana Beatriz Souza, Celma Tatiana, Mariana Fraga e Rebeca Cavalcante

A arte exerce um papel fundamental na formação cultural e no desenvolvimento social de uma comunidade, sendo também uma ferramenta de inclusão e expressão. Com esse olhar, a equipe entrevistou Irlane Rodrigues, coordenadora de Arte e Cultura da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Vitória da Conquista, que falou sobre a importância da arte para o crescimento cultural da cidade e os desafios de aproximar a população conquistense das manifestações artísticas.
Estudante de cinema e audiovisual, Irlane também atua em iniciativas culturais ligadas à APEVIC, onde contribui para a organização da Segunda Cultura Evangélica. Para ela, mais do que cargos ou funções, a arte está ligada à vivência, à sensibilidade e à fé, sendo uma forma de expressar sentimentos, promover bem-estar e estimular a criatividade humana. Segundo a entrevistada, por ser inclusiva, a arte precisa ser acessível a todos, embora ainda existam muitos desafios para que isso se concretize plenamente.
EXTRA!Ordinário: Irlane, como você se caracteriza no seu âmbito profissional?
Irlane Rodriguez: Eu acho que todo profissional que trabalha com arte e que ensina arte precisa ser um grande ser humano, porque você vai encontrar pessoas que não sabem que tem arte ou que também acham que não vão conseguir. Sendo que todas as pessoas têm arte dentro de si. Então, nós professores temos que lapidar os educandos. Temos que ser um profissional humano. E eu me considero assim, porque, às vezes, chega no dia, a pessoa não está tão feliz, está chateada. Aí! Primeiro você tem que ter esse acolhimento, mas depois você tem que começar a realmente compartilhar arte. Têm pessoas que têm aptidão de ser um expoente. Conseguem cantar, conseguem fazer uma pintura, conseguem fazer teatro, dança, e são um expoente em todas as áreas. Então, a gente precisa ter esse olhar, né?
EXTRA!Ordinário: Qual foi o momento que você percebeu que queria exercer essa profissão?
Irlane Rodriguez: Então, a arte em si é um ministério. Para quem não sabe, eu sou cristã, e nós acreditamos que os nossos dons e talentos têm uma missão, que é levar o nome de Jesus. Eu conheci meu Jesus e também a arte muito cedo. Então, eu aprendi que com os meus dons e meus talentos, devo levar Jesus e a arte a qualquer lugar. Seja no trabalho, como profissional ou como cristã.
EXTRA!Ordinário: Como você acha que o trabalho que você desempenha nesse programa que você faz impacta na cultura em Vitória da Conquista?
Irlane Rodriguez: Eu trabalho com jovens artistas e também pessoas com deficiência, ambos têm potencial. Só que a forma como você trabalha com as pessoas PCD [Pessoas com deficiência] é diferente. Então, é a forma como alguém ativa e desperta as emoções, desperta a potencialidade deles. Quantas vezes eu já trabalhei com assistidos que os pais não acreditavam que eles iam crescer tanto, aprender tanto, mas o olhar de quem ensina tem que ser um olhar não só humano, mas um olhar além do que o outro vê! Eu acho que o artista tem esse olhar mais sensível de entender o potencial. Então, têm essas diferenças, e o jovem, hoje, é diferente. Ele tem várias questões emocionais , como a ansiedade, depressão, com o que sonha no mundo. Essa preocupação de ser alguém na vida.
EXTRA!Ordinário: Você acha que, pelo avanço das redes sociais, a criatividade, hoje, está mais reclusa?
Irlane Rodriguez: Sim, o chat, o GPT, a IA e tal, que é uma forma maravilhosa de a gente poder ajudar, mas eu acho que nada é melhor do que você ter a criatividade. Eu quero falar sobre isso, porque isso é importante, e é , assim, que alguns intelectuais da arte dizem, que a criatividade vem pelo que você vê e pelo que você lê. Eu acredito também pelo que você se inspira. Na verdade, as pessoas querem algo pronto, para elas é melhor assim. Então, eu acredito que se nós não tomarmos cuidado, nós não vamos ter uma mente criativa, porque além de termos de explorar mais e mais a mente. Ela vai diminuir, vai minguar a parte criativa. Pelo motivo do intelecto usar tantas redes sociais, não faz a gente ter contato com outras pessoas.
EXTRA!Ordinário: Como você se tornou coordenadora de arte e cultura da APAE da Bahia?
Irlane Rodriguez: Na realidade, eu fui como uma instrutora de teatro. Depois, eu me tornei coordenadora de arte daqui de Conquista. E faz dois anos que eu sou coordenadora de arte daqui de Conquista mais dois colegas. Eu sou da Federação Baiana [da APAE]. Nós aqui na APAE, fizemos um ótimo trabalho, e isso despertou em toda a Bahia. Graças a Deus! E aí eles quiseram que toda nossa arte, tudo que a gente faz aqui, também conseguisse espalhar em toda a nossa região. E é isso que a gente está tentando fazer.
EXTRA!Ordinário: Qual a mensagem que você busca transmitir através do seu trabalho na sua vida como cristã, na sua formação e como coordenadora da APAE?
Irlane Rodriguez: Eu aprendi que aonde eu vou, eu preciso carregar a minha essência. Então, sempre tento falar de Jesus, porque é o que eu carrego. Eu não estou impondo uma religião, mas sempre eu falo que a fé pode nos levar além. Portanto, em tudo que eu faço, eu tento levar um pouco dessa essência que eu carrego. Ele é a minha inspiração. Não só eu! Acredito que eu não sou a única, não. Têm muitos artistas aí que levam, sim, a inspiração de Cristo na vida que carregam. Minha identidade tem sido muito trabalhada por Deus. Deus tem trabalhado na minha vida e tem me colocado em posições, vem abrindo portas, para que eu possa levar a minha arte de forma singular.
EXTRA!Ordinário: Você acha que nossa cultura de hoje em dia influencia nessa autenticidade dos jovens?
Irlane Rodriguez: Eu acho que a sociedade e a mídia em si têm trabalhado para a gente ser todo mundo igualzinho. Eu acho que a gente fica muito ouvindo os outros, hoje em dia nós precisamos realmente não perder a nossa essência de jeito nenhum.
EXTRA!Ordinário: Algo que a gente pode buscar para poder se conhecer é a cultura, o que você acha que a cultura impacta diretamente em Vitória da Conquista?
Irlane Rodriguez: Primeiramente, os espaços artísticos que se contavam, como os espaços Sala de Jeová, que era maravilhoso e fecharam. Não temos espaços artísticos cristãos. Em todos os lugares, não existe uma porta aberta para a arte, porque a arte também é confronto, é confronto no meio político, é conflito para a moda. Em tudo que está passando, a arte confronta. Então, nem sempre as portas estão abertas para a arte.

