Experiência e Rotina com o Diabetes Tipo 1
por: Eloá Cirino, Luiza Sousa e Mavi Borges

Samuel Cirino, jovem empreendedor de 20 anos, morador de Vitória da Conquista, convive com o Diabetes Tipo 1 desde os seis e aprendeu cedo a lidar com uma condição que exige disciplina diária. Hoje, utiliza tecnologias como bomba de insulina, sensores contínuos e aplicativos que facilitam seu tratamento. O Diabetes Tipo 1 é uma doença crônica em que o corpo não produz insulina, exigindo monitoramento constante da glicemia, uso diário de insulina e cuidados alimentares para evitar riscos como hipo e hiperglicemia. Em dias em que a glicemia está descontrolada, a atenção deve ser redobrada, com hidratação, acompanhamento médico e uso de tecnologias (citadas posteriormente, na entrevista) que ajudam a manter o controle glicêmico e a qualidade de vida.
EXTRA!Ordinário: Samuel, quando e como você recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1?
Samuel Cirino: Eu tinha 6 anos, era época da Páscoa e estava tendo racionamento de água na cidade [Vitória da Conquista – BA]. Então, eu estava comendo muito doce e juntou o fato de que não tinha água, tanto para beber quanto para fazer xixi. E, um dos sintomas é que você urina muito e bebe muita água. Então eu bebia muita água, tinha muita sede e vontade de fazer muito xixi por causa dos sintomas da diabetes.
EXTRA!Ordinário: Qual é o maior desafio que você enfrenta no dia a dia por ser uma pessoa com diabetes?
Samuel Cirino: O maior desafio é a disciplina: trocar os aparelhos, verificar a glicose, colocar todos os dados corretamente no aplicativo, no sistema.
EXTRA!Ordinário: Você teve que fazer grandes mudanças no seu estilo de vida? Se sim, quais foram as mais significativas?
Samuel Cirino: Não, não teve uma grande mudança no estilo de vida. No início, sim, porque o tratamento era mais complicado. Eu não podia comer nada, precisava seguir uma dieta bem rígida. Hoje em dia é bem mais tranquilo. Poucas coisas mudaram.
EXTRA!Ordinário: Quais são os principais tratamentos e cuidados que você precisa seguir para controlar sua glicemia?
Samuel Cirino: Insulina. Eu uso bomba de insulina, então fico o dia inteiro com a aplicação contínua. Toda vez que eu vou comer, preciso colocar no aplicativo quantos gramas de carboidrato estou ingerindo. Além disso, tenho que cuidar e trocar os aparelhos, né.
EXTRA!Ordinário: Você utiliza alguma tecnologia, como monitores contínuos de glicose (CGM) ou bombas de insulina? Se sim, como elas mudaram a sua forma de gerenciar a doença?
Samuel Cirino: Sim. Eu utilizo bomba de insulina, o Freestyle Libre e um aparelho chamado Miao Miao. Esses aparelhos juntos funcionam como um ecossistema. Um leva os dados para o outro e assim por diante. A bomba aplica insulina o dia todo. O Freestyle mede a glicemia sem precisar furar o dedo. O Miao Miao pega a glicemia e leva para o meu celular por meio de um aplicativo, que se conecta com a bomba de insulina. Assim, em caso dela estar aumentando, em caso dela estar abaixando, restringe o nível de insulina. E aí vira um ecossistema.
EXTRA!Ordinário: Na sua opinião, qual é a principal coisa que as pessoas que não têm a doença, precisam saber sobre o diabetes tipo 1?
Samuel Cirino: A principal coisa que as pessoas que não têm diabetes precisam saber, eu diria que o maior erro é a galera achar que se tem diabetes é porque você come muito doce. Então, na maioria dos casos, diabetes tipo 1 é causada ou por hereditariedade mesmo, ou por simplesmente uma falha inexplicável do sistema endócrino que causa isso. Não por comer muito doce.
EXTRA!Ordinário: Que tipo de apoio, seja de profissionais de saúde, familiares ou amigos, você considera mais importante para o seu bem-estar?
Samuel Cirino: Eu diria que ter uma consulta periódica com um endocrinologista e você fazer os exames a cada três meses é fundamental.
EXTRA!Ordinário: Para quem está recebendo o diagnóstico agora, que conselho você daria sobre o uso da tecnologia no tratamento?
Samuel Cirino: Use a tecnologia a seu favor. Eu sei que tem muita gente que não tem condição de ter os aparelhos, até porque são aparelhos caros. Nesse caso seria você colocar alarmes no celular, por exemplo, utilizar aplicativo, até mesmo um aplicativo que dá pra você usar com a caneta de insulina que vai facilitar o seu controle [glicêmico].

