As relações modernas e o sexo casual
Sexta-feira, cá estou eu indo comemorar o meu aniversário de 18 anos em uma festa. Aguardo meus amigos chegarem para pedirmos o Uber até o local. Enquanto isso, vou lendo as mensagens de felicitações que tenho recebido durante o dia. Várias delas são de pessoas que quase nunca tive contato, o máximo, uma ficada ou então apenas são conhecidos de outros conhecidos. Os meus amigos mais próximos me desejaram feliz aniversário mais cedo, de uma forma mais íntima. Ao ler a de um amigo, com quem fiquei durante 2 meses no início do ano, eu paro e começo a refletir um pouco sobre como tive envolvimentos esse ano com homens e mulheres. Começo a pensar como a paixão pelo outro, atualmente, se tornou algo raso, efêmero.
Em meio à esses pensamentos, meus amigos chegam e decidimos pedir o Uber. Por volta das 23h, chegamos na festa, que já está bem animada e com várias pessoas. O ambiente está bom e encontramos outros amigos lá que me desejam parabéns e me chamam para pegar algo para beber. Por volta de 1h da manhã, já estou meio “feliz” com a bebida e começo a perceber o olhar de um cara em minha direção, sem pensar muito, me aproximo e conversamos um pouco, até que nos beijamos. Apesar de estar gostando, o beijo não tem muita diferença dos outros caras, apenas sinto que ele está sendo mais um número na lista de pessoas beijadas. Um tempo depois, volto a ficar perto dos meus amigos que também estão “felizes” depois de alguns drinks.
Deve ser umas 3h da manhã quando o DJ muda e entram duas garotas lindíssimas, tocando vários hits. Começo a olhar ao meu redor e vejo as pessoas todas animadas e felizes, não que eu não esteje, mas enfim. Vejo se aproximando um conhecido de alguns amigos, ele fala com todos e por fim, me deseja parabéns. Naquele momento fico um pouco surpreso visto que nos conhecemos apenas pelo Instagram. Ele me olha e vem em minha direção me abraçar e desejar todas aquelas coisas que se deseja no aniversário. Passado um tempo, vejo que ele ainda está em nossa roda de amigos e continua me olhando. Estaria mentindo se dissesse que ele não me desperta algum tipo de atração. Esqueço o que acontece em seguida mas 5 minutos após as olhadas, estamos nos beijando. Enquanto o beijo está acontecendo, penso que finalmente rolou algo bom durante a noite porque todo aquele envolvimento está despertando todos os meus desejos.
Já está quase amanhecendo e a festa ainda não acabou. Eu e Rafael (o conhecido que me deu parabéns) estamos juntos e os nossos amigos em comum estão afastados dançando. Eis que ele me chama para ir dormir na casa dele. Paro alguns segundos e em minha mente já sei o que aquele convite significa, mas confesso que a atração por ele não me fez duvidar quanto à resposta dada. Chegamos no apartamento dele por volta das 5h da manhã. Deitamos na cama e acontece tudo aquilo que sabemos que rola com dois caras que se pegaram em uma festa e que estão meio bêbados, no auge do afloramento dos hormônios. Acordo por volta das 11h, ele ainda está dormindo, e começo a pensar na noite que tive. Não estou me sentindo mal, mas também não estou muito confortável por ter feito tudo isso. Por volta das 14h, eu já estou em casa. Rafael me envia uma mensagem dizendo que gostou muito da noite e me convida para sair mais tarde.
Começo novamente a pensar sobre tudo que aconteceu, lembrando também dos casos passados que tive. Percebo que as relações são cada vez mais casuais, esquecendo por vez dos sentimentos que a outra pessoa pode criar se envolvendo com um parceiro(a). As pessoas procuram apenas uma ficada, uma noite de sexo, e esquecem-se de como aquela interação física, breve, pode aflorar os sentimentos do parceiro(a). Me pergunto como ficar bem sabendo que estou ali servindo apenas como uma “máquina” para suprir os desejos do parceiro, e que amanhã será outro, e depois outro. Não nasci para ser uma máquina que entrega meu corpo para suprir um desejo efêmero. Ou para ouvir um “te amo” no meio do sexo e no dia seguinte a pessoa estar repetindo a mesma frase para outro parceiro casual.
Não consigo pensar que realmente possa existir um relacionamento em que as coisas não sejam só feitas de forma casual. Mas, ao mesmo tempo, me pergunto se meu pensamento está certo ou errado. Cresci nesse mundo e não sei se isso tudo, talvez, faça parte da nova forma de se relacionar. Apesar de todos esses pensamentos, decido responder Rafael e confirmar com ele uma saída mais tarde. Pensei que talvez, aceitando esse convite, eu realmente estivesse fazendo parte de todo esse ciclo de relacionamentos casuais mais uma vez. Mesmo assim desejei me arriscar e ver o que o envolvimento com ele resultaria.

