Siga o meu conselho
Nada como um dia normal. Mais um dia em que saio da universidade, pego o ônibus certo para a minha nova casa e me perco aqui dentro. Dentro de mim. É normal se sentir assim? Desconectada de tudo e até de mim mesma? Bom, normal ou não, isso tem me ocorrido frequentemente. Eu nunca me imaginei morando sozinha e, na verdade, não estou, pois posso estar morando com qualquer pessoa menos com a Luísa que conheço, a Luísa que eu quero ser. Quase todos os dias eu enfrento a insegurança, o medo e a saudade. Ainda não sei o que fazer para ser amiga desses três. Tem dias que a saudade me machuca, que a insegurança me preenche e que o medo me domina; e tem dias que a saudade é a minha única lembrança boa. Na verdade, a saudade não é um problema. Às vezes ela me faz chorar no meio da noite, ouvir silenciosamente todas minhas músicas preferidas no volume máximo do fone de ouvido. Mas ela também me faz rir do nada, me faz querer cativar novas amizades e também me obriga a fazer chamadas de vídeos diariamente com as pessoas que eu amo.
Eu queria mesmo era estar livre de toda a insegurança e medo que carrego dentro de mim. Eu me sinto cheia e completamente vazia ao mesmo tempo, e quando estou assim é uma luta para recomeçar. Nesse longo caminho eu choro, como desesperadamente ou simplesmente me vejo olhando para o nada com o peso das dezenas de fotos vistas no Instagram, dos padrões sociais, de questionamentos. Esse vazio que eu sinto tem o peso maior que o mundo, e eu preciso dar um tempo nesse vazio. Eu preciso do silêncio para me reencontrar, para me ouvir, para falar mais do que eu penso e para me impor para as pessoas sem medo de julgamentos. Você também já sentiu a necessidade de começar do zero, de novo e de novo, e sempre? Como um ciclo viciante? Esse ciclo é minha angústia e também minha alegria, pois não é todo dia que eu encaro o medo e a insegurança e tenho a saudade como companheira.
Não sei se você acordou atrasada e já correu para não perder o ônibus, ou se levantou e foi mexer no celular ou se simplesmente acordou e não teve ânimo algum para começar as atividades do dia. O certo é que eu te conheço bem demais, Luísa! Então, siga o meu conselho: não tente pensar em nada agora, apenas calce o tênis e vá correr, você ama sentir a brisa te desejando um bom dia. Depois volte com calma, tome um banho e tudo bem se você chegar atrasada na aula, da próxima vez você vai se programar para fazer isso mais cedo. Na faculdade, tente ser você e mesmo se não sentir à vontade, exercite falar o que pensa, você tem seu jeito único de ver a vida. Seja paciente e tente manter um bom humor durante o dia, se precisar escute as músicas que te acalmam que já estão separadas naquela playlist do seu celular. Não deixe que a preguiça, que as redes sociais e que o sono te façam perder muitos movimentos do ponteiro. Otimize o seu tempo para fazer as obrigações e também para fazer o que gosta, seja praticando vôlei, lendo, seja conversando com amigos ou escrevendo poesia. Também se dê ao direito de não fazer nada. Ore e agradeça a Deus por tudo. Se a saudade ainda não te fez ligar para casa, já é hora! Procure um carregador e prolongue essas conversações, você sabe o quanto elas te renovam e te fortalecem. Eu quero muito que essas pequenas coisas façam parte do seu dia normal, e que a Luísa que você quer tanto ser encontre espaço dentro desse turbilhão de sentimentos que você carrega dentro de si.

