crônicas

Aqui estou me desnudando perante você

Aqui estou eu me desnudando perante você. Não um desnudamento que você está acostumando, não sei nem se está acostumado. Estou falando do desnudamento da alma. Das vezes que meu coração palpitou ao te ver. Das vezes que eu quis parar o tempo nos segundos dos teus abraços. Das vezes em que me peguei sorrindo pensando no teu sorriso, fazendo-me viajar em histórias “invivenciáveis”. Nem sei se esta palavra existe nas mais renomadas gramáticas, mas sei que existe dentro do meu “eu”, existe no que sinto.

Agora estou aqui tentando fazer a tarefa mais difícil da minha vida. Acho que nem te perder é tão difícil quanto deixar voar por aí o meu coração cheio de ti, um coração que agora está se despindo perante você. Abri-lo e permitir que os seus segredos voem como borboletas não é uma coisa fácil. Mas, estou aqui perante você desnudando-me, retirando toda a capa que criei para blindar-me dos seus possíveis “nãos”, para blindar-me do seu descaso, da sua frieza.

Venho falar das noites em que você não me deixou dormir, pois estava comigo nos mais loucos sonhos e pensamentos; de todos os beijos que eu te dei, mas não te dei; de todas as vezes que sonhei escrever para você, mas não escrevi. Nos momentos que fui a sua casa sem pretexto para te ver. Das vezes que te peguei sorrindo ao ver uma família e pensei: “puts… podia ser a gente com as crianças correndo no parque…”. Contento-me em te abraçar sem te ter; a te acariciar sem te viver. Contento-me com nossas poucas conversas, com nossas poucas risadas, com nossos poucos abraços.

É engraçado como as pessoas vêm me falar de você, sem ao menos eu contá-las que tu habitas em mim. Talvez esteja tão na cara que o mundo veja o que você não consegue ver, ou o que você, simplesmente, não quer ver. Amo-te até eu não poder te amar mais… Engraçado como é automático te ver e passar um filme com várias cenas em minha cabeça, cenas que nunca existiram e que provavelmente não existirão. Nelas têm eu e você vivendo um amor perfeito, mas imperfeito, porque sabemos das nossas diferenças. Somos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

É engraçado como sua família me olha, parece que eles leem o que está escrito na minha testa, ou talvez eles queiram que nós vivamos o que está tatuado em mim. Talvez você viva tudo isso, mas em outro coração. Sim, já pensei nisso, dói, maltrata, me causa angústia. Mas entendo que o amor nasce onde e quando menos esperamos, e principalmente em quem menos queremos. Sim, em quem menos queremos. Se fosse para te escolher com a minha razão, não escolheria você com as suas convicções políticas, com a sua mania de ignorar-me e o seu costume de usar calça e sandália havaianas. E o com seu vício de bola? Muito menos. Mas te escolhi com o meu coração, com o meu eu.

Percebo que realmente é amor, quando vejo que é o amor que esperei sentir, que esperei viver. O amor que sonhei que viessem os meus filhos, o amor que me compõe, que me veste. O amor que me “desveste”, o amor que não viverei, o amor que nunca saberás. Mas, continuo aqui, me desnudando perante você…

 

Ass: Valéria Marina.

 

 

Valéria Marina
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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