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O que é a vida para uma criança?

por: Alexya Amorim e Janaína Borges

Pietro trajando seu uniforme do futebol. Foto: EXTRA!Ordinário.

 

A vida admite uma conceituação muito ampla. Podemos nos referir a ela desde o conceber de uma existência até o seu fim a morte. Em uma perspectiva antropológica, a vida humana se resume numa trajetória ininterrupta de relacionamentos. Ocorre nesse processo uma vivência única para cada ser, diante da sua individualidade. Veremos com esta entrevista, a vida por trás dos olhos e das econômicas palavras de um garoto de 6 anos. Pietro, como vamos chamá-lo, é doce, travesso e muito astuto. Ele estava ansioso para iniciarmos o bate-papo, chegou muito animado com a ideia de falar sobre ele, ainda de farda, trazendo toda a energia da escola. Aquietou-se depois de alguns instantes e pôs-se apenas a observar, como arrumávamos as coisas para começar a entrevista. Nosso entrevistado mirim adotou uma postura digna de uma fonte jornalística importante, muito sério, centrado e atento. Quando tudo estava organizado, começamos.

 

EXTRA!Ordinário: Então, Pietro, o que é mais importante na sua vida?

Pietro: Brincar.

 

EXTRA!Ordinário:  Qual seu maior sonho, Pietro?

Pietro: (risadas e mão na boca) Eu queria ser o Homem Aranha! Quer dizer, o Hulk, eu queria ser o Hulk. (risadas novamente).

 

EXTRA!Ordinário:  Se você pudesse agradecer alguma coisa, o que seria?

Pietro: Presentes. Ovo de Páscoa.

 

EXTRA!Ordinário:  Qual seu filme preferido?

Pietro: Aquele lá que a gente [Pietro e Alexya] assistiu. Vamos assistir de novo? (Fazendo menção ao longa animado “Viva – A Vida é Uma Festa”)

 

EXTRA!Ordinário:  Qual seu primeiro pensamento hoje?

Pietro: Em Julia [irmã mais velha]. Me atentou e eu fui lá e caí da cama. (nós rimos). E agora Rafaela [irmã mais nova] está dormindo no colchão.

 

EXTRA!Ordinário:  Qual o medo que mais te atrapalha?

Pietro: Julia. Choque!

 

EXTRA!Ordinário: Você tem medo de Julia ou de choque(caneta que dá ? E por quê?

Pietro: De Julia e de choque. Porque ela vai lá e pega o choque para me dar choque.

 

Quando perguntamos a Pietro sobre a irmã mais velha dele, sentimos certa antipatia, mas ele respondeu com naturalidade quando tocávamos no nome da irmã. Prosseguimos a entrevista com perguntas sobre a vida dele, alguns amores e o que ele entendia sobre esse assunto.

 

EXTRA!Ordinário: Se o mundo acabasse amanhã, o que você faria hoje?

Pietro: Acho que eu brincaria um pouco.

 

EXTRA!Ordinário:  Quem são as pessoas mais importantes da sua vida, Pietro?

Pietro: Minha mãe, meu pai, minha vó, meu avô, e Dulce, que viajou com a gente, tia Sônia, e Agnes, e Alexya, Andrey.

 

EXTRA!Ordinário:  E Julia, ela não é importante na sua vida?

Pietro: Não, só Rafaela. Julia não!

 

EXTRA!Ordinário:  O que é a morte para você, Pietro?

Pietro: É o gelo?

 

EXTRA!Ordinário:  Como assim? Você sabe o que é a morte, Pietro?

Pietro: Quando a pessoa morre ela fica gelo. (sic) Ela fica parada.

 

EXTRA!Ordinário: Então a morte para você é quando alguém fica parada e gelada, é isso?

Pietro: Sim. Quando alguém matar, morre.

 

Pietro pensa como toda criança deveria pensar, se diverte e vive o hoje como se somente houvesse o hoje. Quando podem, crianças mostram-se plenas. Quando brincam, fazem isso como se fosse a última coisa que fariam na vida. A criança tem o dom de trazer recomeços, ciclos que se reiniciam. A vida é cheia de Pietros, que mesmo trazendo a inocência e virtude no olhar, também nos revelam o medo. Pietro não é só o Pietro. Nele estão representadas milhares de crianças genuínas que, exibem sua singularidade, são humanos, e apresentam sentimentos correspondentes aos estímulos externos. Ademais, na intensidade com que Pietro se dedica às suas tarefas diárias é que se encontra a beleza e a sabedoria de viver. Dá a simples receita do existir da maneira mais linda e absoluta: vivenciar o agora, pois é a única certeza que há.

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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