A vida sob um olhar infantil atual
por: Beatriz Simonassi e Kourosh Naghibi

Lucas fazendo atividade escolar. Foto: EXTRA!Ordinário.
A vida desde sempre foi o maior e mais complexo questionamento do homem. Ao longo de nossa história diversas linhas de pensamento surgiram para procurar entender e explicar o porquê da nossa existência e como as relações humanas interferem na construção de uma sociedade. Ao atingir a vida adulta, percebemos como a realidade difere dos pensamentos que tivemos quando criança. Atualmente, levamos nossas vidas de forma acelerada, sempre correndo contra atrasos e problemas. Esse ritmo acelerado, não nos permite refletir com profundidade sobre o que é viver a vida.
A vida infantil em si, por sua vez, é caracterizada pela forma leve de se viver, de não pensar muito no futuro, sempre buscando permanecer no agora, no presente. Em contrapartida, a vida adulta atual é caracterizada pela preocupação constante, recordando de como a vida era mais fácil quando criança. Entretanto, será que os pequenos imaginam a vida adulta dessa forma complicada? Ou acreditam que ser adulto é ser independente e ter uma vida “perfeita”?
Para termos nossa resposta e ver como a vida adulta é encarada por uma criança, entrevistamos o estudante de 11 anos, Lucas Marinho Oliveira (nome fictício), de Vitória da Conquista, no dia 5 de Abril de 2018. A entrevista foi feita no escritório de advocacia da mãe, que sempre está correndo de um lado para o outro, resolvendo problemas e trabalhando de forma intensa. Lucas nos contou que sempre gosta de ficar no local de trabalho da mãe onde fica fazendo os exercícios de casa passados pelo colégio em que estuda
EXTRA!Ordinário: O que você acha da vida?
Lucas: A vida, não acho da vida, a vida é pra viver.
EXTRA!Ordinário: Você acha que é fácil?
Lucas: É difícil, tem obstáculos pra você passar, tem várias coisas.
EXTRA!Ordinário: Mas você acha que é bom viver nessa vida de hoje?
Lucas: É bom.
EXTRA!Ordinário: O que você acha mais legal em ser criança?
Lucas: Que não precisa trabalhar, não precisa pagar conta, não precisa se esforçar tanto, você pode se divertir mais, sair com os amigos, dormir na casa dos outros.
EXTRA!Ordinário: E o que você menos gosta sendo criança?
Lucas: Não sei, não vejo coisa ruim em ser criança.
EXTRA!Ordinário: Você acha que o aniversário é importante por quê?
Lucas: Pra ganhar presente, só isso mesmo, porque o resto é envelhecer.
EXTRA!Ordinário: Se você tivesse a opção de envelhecer ou ficar com essa idade pra sempre, o que você queria?
Lucas: Queria ficar com essa idade.
EXTRA!Ordinário: E se fosse uma idade mais novo, ou mais velho?
Lucas: Se fosse mais novo… eu não gosto de ser muito novo… e se fosse mais velho, eu não gosto também.
EXTRA!Ordinário: Por quê você não gosta de ser mais novo?
Lucas: Porque você aprende menos coisa, muito menos coisa. Eu aqui já tá bom pra mim.
EXTRA!Ordinário: O que você acha que acontece quando a gente morre?
Lucas: A gente deve reviver em algum momento ou então a gente pode ficar olhando infinitamente o escuro.
EXTRA!Ordinário: Você acha que quando a gente morre vai lembrar de tudo o que viveu?
Lucas: Se a gente reviver, a gente não vai lembrar, mas se a gente ficar no escuro, talvez lembre.
EXTRA!Ordinário: O que você acha que significa esperança, amor e liberdade?
Lucas: Esperança é quando você perde alguma coisa ou então você quer alguma coisa e acredita nisso, que você pode conseguir e vai conseguir. Já amor não só é amor, tem o amor de namorada, essas coisas assim, ou amor de mãe, o amor de pai, o amor de primo, de irmão… é quando você gosta de uma coisa e quer ficar com aquela coisa. E liberdade é quando você pode escolher o seu próprio destino, você pode escolher quando ou onde você quer fazer aquilo.
EXTRA!Ordinário: O que você acha que faz a gente pensar?
Lucas: Acho que a nossa criatividade, nosso cérebro, quando a gente está distraído faz a gente pensar em alguma coisa que a gente quer muito, uma coisa especial pra você.
EXTRA!Ordinário: O que você mais gosta de fazer?
Lucas: Jogar no computador, no celular, futebol.
EXTRA!Ordinário: Você tem algum jogo favorito?
Lucas: Minecraft.
EXTRA!Ordinário: Qual seu canal preferido?
Lucas: Gosto da Moonkase e do Jv.
EXTRA!Ordinário: E além do canal de Minecraft, você assiste algum youtuber?
Lucas: Felipe Neto.
EXTRA!Ordinário: Se você pudesse trocar alguma coisa que tem nessa vida você trocaria o quê? Alguma coisa que é ruim para você viver?
Lucas: Eu trocaria meu celular por outro melhor, eu trocaria meu tablet, meu pc, trocaria minha casa por uma melhor e só.
EXTRA!Ordinário: Quando você era mais novo, tem alguma coisa que te marcou que você se lembre? Tipo, sabe aquela vez que fiz tal coisa?
Lucas: A primeira vez que me marcou foi quando eu conheci todos os meus amigos, quando entrei na minha escola. Lá eu já fui amigo de todo mundo, aí depois foi quando eu ganhei meu primeiro celular que minha mãe que me deu, depois um tablet, um computador e foi isso.
EXTRA!Ordinário: Entre passado, presente e futuro, qual dos três é melhor de ser vivido?
Lucas: O futuro.
EXTRA!Ordinário: Por quê?
Lucas: Pode ser que lá no futuro tem novas coisas interessantes, tipo carros voadores, motos voadoras, algo assim. Já evoluíram o skate que agora é eletrônico e já evoluíram o carro, que agora não usa mais combustível, aí pode ser que evoluam mais.
A partir das respostas apresentadas por Lucas, percebemos como a vida da criança e seu modo de pensar são um reflexo do contexto social e da geração em que está inserido. É perceptível como as novas tecnologias alteram a forma de viver das crianças, surgem maneiras diferentes de pensar, brincar e se relacionar. Por outro lado, a essência da infância permanece, o desejo de usufruir do agora, sem muitas preocupações com o que está por vir no futuro.

