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Vida noturna e artistas independentes
Conheça um pouco sobre o DJ e produtor cultural Sckenov

por: Lívia Medeiros

DJ e produtor cultural, Sckenov conta um pouco sobre sua profissão. Foto: Lívia Medeiros.

 

Dança, discos de luz e graves agitados fazem parte, de maneira cada vez mais perceptível, da vida noturna de uma grande parte dos jovens conquistenses. Nesse contexto, Vitória da Conquista – BA vivencia um momento de grande ascensão de artistas e produções independentes, bem como dos adeptos da música eletrônica. E, diante disso, os DJS são os grandes responsáveis por agitar os bares e baladas alternativos da cidade.

Gênero que se originou do rap americano na década de 90 e se popularizou em 2012, o trap é uma das diversas vertentes da música eletrônica, mais especificamente do EDM (Eletronic Dance Music). O trap se caracteriza por suas melodias e líricas agressivas, mesclando, assim, elementos do hip-hop e da música eletrônica. Além de combinar diversos ritmos musicais, pode ou não apresentar um vocal em suas composições.

Em virtude disso, entrevistamos o produtor cultural Ariel Amaral, conhecido como Sckenov, que é também DJ há 10 anos. O jovem de 21 anos já possui diversas músicas de autoria própria, reconhecimento internacional e tem conquistado cada vez mais espaço na cena alternativa da Suíça Baiana, como é conhecida a cidade de Vitória da Conquista.

 

EXTRA!Ordinário: De onde veio o nome Sckenov?

Sckenov: De um sonho que eu tive, muito tempo depois de eu ter começado a ser DJ. No sonho, eu estava tocando e esse nome estava escrito num telão. Quando acordei, eu pesquisei e não encontrei o significado, então acabou ficando.

 

EXTRA!Ordinário: Como e quando foi que você percebeu que gostaria de ser músico?

Sckenov: Desde criança eu sou ligado à música eletrônica. Desde que me entendo por gente, sabia que seria bom para mim, que eu estava ligado a isso de alguma forma.

 

EXTRA!Ordinário: Qual o maior desafio de cada uma das suas profissões (DJe Produtor Cultural)?

Sckenov: Em ambas, fazer com que as pessoas se conectem com a proposta independente do evento e do gênero que esteja tocando.

 

EXTRA!Ordinário: E a parte que você mais gosta?

Sckenov: Mostrar aquilo que eu sinto em forma de música e perceber que existem pessoas que têm muito a ver com aquilo que eu faço.

 

EXTRA!Ordinário: O que a música representa para você?

Sckenov: Talvez, para mim, seja uma válvula de escape. Ela é, definitivamente, algo que me conduz demais. Se eu escuto uma música animada, eu fico feliz, mas se eu escuto uma música triste, também fico muito triste.

 

EXTRA!Ordinário: Você também tem produções autorais, que já foram tocadas por DJs conhecidos mundialmente. Como você aprendeu a produzir?

Sckenov: Sozinho, criança, dentro do meu quarto. Usava um computador velho, mexendo sem saber e conhecendo aos poucos. Depois de muitos anos, comecei a colocar em prática, mas nunca fiz curso nenhum. E claro, ouvindo músicas e pegando suas referências.

 

EXTRA!Ordinário: Muitos novos DJs tem surgido na cena underground de Conquista. De que forma você enxerga isso?

Sckenov: Vejo como uma evolução, algo que é padrão acontecer em todos lugares, no qual pessoas vem e vão o tempo todo.

 

EXTRA!Ordinário: Existe algum festival em que você sonha em tocar?

Sckenov: Inúmeros: LostLands, Ultra Music, Lolla e Coachella são alguns deles.

 

EXTRA!Ordinário: Quais as suas referências musicais?

Sckenov: Bombox Cartel, Tropkillaz, YellowClaw, ATLIENS e outros.

 

EXTRA!Ordinário: Qual a lição mais significante que a música e a sua profissão lhe deixaram?

Sckenov:  A música me mostrou que ela em si é fruto de uma coisa que a gente faz, certo? E isso mostra que cada um de nós podemos ir além do que imaginamos. A música é fruto disso, e ela roda o mundo sem precisar de passagem (risos). Na minha carreira, ao longo desses 10 anos, já aconteceram muitas coisas comigo que me trouxeram muita experiência, principalmente em relação a eventos. Minha vida já esteve em risco por dívidas de evento, problemas com outros profissionais envolvidos. Isso me tornou homem, porque tudo que eu aprendo ali, levo para vida de alguma forma.

 

EXTRA!Ordinário: Você toca em diversos eventos na cidade. O que você mais ouve nas festas e o que mais pedem para você tocar?

Sckenov: São duas coisas: eles pedem para tocar trap e pedem para tocar funk. Independentemente do local da cidade, desde que aqui no Brasil, eu, nós, qualquer DJ já está preparado para escutar um “toca um funk aí” de alguém.

 

EXTRA!Ordinário: Se você pudesse dar uma dica ou um conselho para quem está começando agora ou para quem deseja ser DJ, qual seria?

Sckenov: Jamais estenda sua mão além do que você pode alcançar. Calma, foco e confiança te levam bem mais além do que você imagina, e fé, muita fé.

 

EXTRA!Ordinário: Como você enxerga a música eletrônica no Brasil em relação ao resto do mundo?

Sckenov: A música eletrônica aqui no Brasil, pelo menos a vertente com que eu trabalho (trap e bass), ainda está em desenvolvimento. O que comanda os grandes clubes ainda é o eletrohouse e o trance. Já lá fora, a cena está muito desenvolvida e tende a melhorar. Os festivais lá fora agregaram todos os estilos num espaço só.

 

EXTRA!Ordinário: O que te motiva a continuar?

Sckenov: A minha extrema ligação à música e a minha confiança de que eu vou chegar num ponto em que eu poderei me manter e manter o meu filho somente com a música.

 

É inegável a força e as proporções que a música eletrônica tomou nos últimos anos em âmbito local e mundial. Nesse sentido, as cenas independentes se mostram como de suma importância no processo de construção cultural e promoção da arte, além de ser uma forma de resistência, visto a dificuldade de se viver da música no Brasil, principalmente para quem sai do interior. Se você deseja saber mais sobre o artista, escutar suas músicas ou conhecer outras vertentes, tudo é isso é possível nas mais diversas plataformas digitais (SoundCloud, Spotify, Facebook).

Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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