Só sei que preciso falar para a democracia me libertar

No contexto social vigente, nota-se que aceitar as diferenças nunca foi um trabalho fácil. Esse fator é verificável em diversos momentos da história do Brasil como a colonização brasileira em que houve uma não aceitação da cultura indígena já presente nas terras brasileiras ou a ditadura militar em que era torturado aquele que se expressava contra os ideais do governo. Dessa maneira, a sociedade foi formada através de pré-conceitos bem definidos, fazendo com que ao presenciar a liberdade do outro dizer o que pensa e aceitar isso quando se tem opiniões adversas, se torna uma tarefa um tanto complexa. Como se pode imaginar, a intolerância surge nesse contexto, inclusive dentro do âmbito político sendo assim, uma realidade nas eleições 2018, pois é possível verificar grandes números de reações violentas causadas pelas divergências de ideias.
Em primeiro plano, é importante lembrar do significado da palavra democracia, sendo este um tipo de regime político no qual seus representantes são escolhidos através do sufrágio universal. Como já dito pelo 16° presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, “A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”, em outras palavras, a população passa a ter liberdade de escolha e assim é livre para escolher seus representantes e se expressar politicamente. No Brasil, o sistema presidencialista implantado desde 1889, vem por meio de um personagem dito como o líder, sendo este escolhido através do voto popular e representa todo o país através de suas ideologias, pensamentos ou até mesmo ações. Nesse sentido, é sabido que, aquele que está no poder lida com a coordenação das políticas públicas através de projetos de leis que são averiguados no poder Legislativo.
Como afirmou a ex-presidenta Dilma Rousseff “A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é o princípio essencial da democracia”, assim fica evidente que vivemos numa sociedade que independente de gênero, etnia ou até mesmo religião se tem o direito de votar e de se expressar politicamente. Mas, ainda assim, opiniões adversas são vistas de maneira inaceitável pela população, o que contribui para o aumento da violência física, psicológica ou intelectual. Os discursos estão cada vez mais carregados de ódio e o Brasil se torna cada vez mais polarizado e opressor. Nesse âmbito, o jornal GGN publicou dados de uma pesquisa, feita na universidade de Nebraska-Lincoln, afirmando que o nível de intolerância de um indivíduo é diretamente proporcional com o quanto a pessoa está segura de suas posições. Isto é, “a tolerância política dos participantes diminui quando ideias contrárias as suas levaram os indivíduos ao sentimento de incerteza ou ameaça”. Fazendo assim com que esse seja uma das vertentes que leva ao aumento da inflexibilidade das pessoas.
Uma outra questão é o aumento do uso das redes sociais, que possibilitou um maior alcance em relação ao que se pensa ou acredita, sem uma preocupação com o que o outro vai sentir ao ler determinados comentários. Segundo dados publicados pelo ‘comunica que muda’, da agência Nova/ SB, apenas no ano de 2016 foram verificadas 273.752 menções entre os meses de abril a junho que envolvia intolerância política. Como afirma Marcelo, presidente da ONG ABCD´S, em uma publicação feita no Diário do Grande ABC “As redes sociais são um campo maravilhoso, mas se você coloca uma crítica, começam a aparecer pessoas com pensamentos radicais e fundamentalistas destruidores. A tentativa de implantar a igualdade é um trabalho que não pode ser paralisado jamais”, dessa maneira discursos de ódio são apresentados de diversas formas em publicações diárias através de ameaças e discursos radicalistas que deixam claro a intolerância ao diferente naquele espaço e a falta de uma educação para o mundo virtual.
Diante desses fatores apresentados, a eleição 2018 fez com que esses discursos de ódio fossem aumentados de forma significativa e clara, se resumindo em duas posições políticas divergentes, que discutem entre si, gerando diversos tipos de violências. Exemplos desta são, o caso do atentado ao candidato à presidência Jair Bolsonaro ou a mulher que foi espancada em Recife por apresentar sua opinião através de botons a favor do candidato Ciro Gomes e da #elenão ou até mesmo o servidor público que usava uma blusa vermelha e um boné do MST que foi espancado por cerca de cinco homens. Esses e muitos outros casos mostram a instabilidade política presente no país. Foi nesse âmbito que o projeto “Mapa da Violência” feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) reuniu mais de 120 casos de agressões através de denúncias de caráter crime eleitoral por meio de relatos.
Enfim, o que fazer diante de tanta intolerância? Quer um conselho? Escute! Saber escutar significa ver a opinião e a visão do outro, isso não significa se está certo ou errado, mas sim que possui uma posição aberta a se autoquestionar ou a somar em seus argumentos já fixos. Além disso, deve-se denunciar atos de ódio seja através de sites como o “Mapa da Violência Eleitoral” ou no órgão da Justiça Eleitoral mais próxima, para prestar queixa através do juiz eleitoral que terá o prazo de 10 dias para cumprir o código eleitoral presente no artigo 22. Referindo-se a qualquer ação que tenha caráter partidário ou que envolva candidatos em qualquer fase do processo de eleições como agressão ou ameaça, é considerado crime! Não permita que a liberdade seja substituída pelo ódio! Precisamos da democracia, pois como afirma Barão de Montesquieu, “o amor da democracia é o da igualdade”.

