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Fake news e Bolsonaro

 

O sentimento de angústia assola muitos brasileiros diante do atual
cenário político. Em meioàs eleições para o próximo Presidente da República,
observamos, à frenteda corrida eleitoral,Jair Messias Bolsonaro (PSL). Um
candidato idolatrado pelas classes média e alta pelo seu discurso de cidadão
do bem, que protege a família tradicional brasileira e que prega amor a Deus e
à bandeira nacional. Mas o que essas pessoas, cegas pelo ódio ao atual
sistema político, não enxergam é que o “homem de bem” teve o suporte
eleitoral baseado em fakenews.
Bolsonaro obteve 46,03% dos votos no primeiro turno –
aproximadamente 50 milhões de votos absolutos. Segundo uma pesquisa
realizada pelo Datafolha, esse número apresenta 59% da intenção de votos
para o segundo turno que acontecerá no dia 28/10/2018. O candidato ganhou a
máxima repercussão graças a grande quantidade de notícias publicadas
contendo o seu nome como foco principal, além das informações veiculadas
em detrimento aos outros candidatos. O mais doloroso é o fato de que muitas
dessas notícias, veiculadas nas redes sociais, são falsas.
Como exemplo disso, observou-se recentemente a polêmica causada
após uma entrevista concedida por Bolsonaro ao Jornal Nacional, da Rede
Globo, na qual ele mostrou aos telespectadores uma cópia do livro Aparelho
Sexual e Cia., insinuando que exemplares foram distribuídos nas escolas
públicas do país na intençãode “sexualizar” precocemente crianças de seis
anos de idade e ensinar a ideologia de gênero nas escolas do
Brasil.Supostamente, o livro estaria incluso no material, apelidado de “kit gay”
pelos seguidores do candidato Bolsonaro, e, segundo o mesmo, teria sido
criado por Fernando Haddad (PT), que também concorria à presidência da
república
No entanto, a verdade é que o material proposto por Haddad trata-se de
um projeto denominado Escola Sem Homofobia, apresentado em 2011 e criado
por ONGs contratadas pelo Ministério da Educação, mas não distribuído nas

escolas. O objetivo seria oferecer instrução aos educadores para se portarem
corretamente em situações de violência e preconceito contra a diversidade dos
alunos. Por fim, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que sejam apagados da
Internet os vídeos de Bolsonaro que falam sobre a distribuição desse livro.
Eleitores do “coiso”, como Bolsonaro é chamado por quem não vota
nele, disseminam notícias falsas contra demais candidatos durante o primeiro
turno das eleições, desejando que candidaturas fossem anuladas. No dia
07/10/2018, foram compartilhados vídeos mostrando que, após o número 1 ser
apertado na urna eletrônica, automaticamente aparecia a foto do candidato
Haddad. Entretanto, o TRE – MG, em nota publicada, informou que se tratava
de vídeo adulterado.
Em outro caso, fotos da candidata a vice-presidente da chapa de
Fernando Haddad, Manuela D’Ávila, foram compartilhadas nas redes sociais.
Fotos adulteradas apresentavam a frase “Jesus é Travesti” escrita na blusa da
deputada, mas na fotografia original, postada pela própria, o que se lê na
camiseta é a palavra “Rebele-se”. São essas pessoas que se dizem honestas e
que votam em um candidato também considerado honesto, mas que se
beneficia com a desonestidade. Mas será mesmo que um candidato, como
Bolsonaro, que dissemina informações falsas é mesmo uma boa opção para o
futuro do país? Os seus eleitores estão com olhos abertos para tal ou cegos
pelo anti-petismo?

Alice Caires
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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