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O extremismo vinculado à falta de informação

 

 

Faltando uma semana para a votação do segundo turno entre Jair Messias
Bolsonaro e Fernando Haddad, a tensão política vem aumentando no Brasil, com
debates, discussões, rivalidades e passeatas que dividem os cidadãos em várias
cidades do país e que também se tornaram mais frequentes. De um lado, temos
Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), e do outro, Jair Messias
Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL).
Fernando Haddad é odiado por fazer parte de um partido que, em diversos
aspectos, levou o país ao caos, levando o governo a ter prejuízos bilionários e,
consequentemente fazendo com que o antipetismo ganhasse uma força enorme nas
atuais eleições. Mas, seus eleitores, maioria de esquerda ou simpatizantes dos
movimentos sociais, também ganham força contra as falas extremistas e perigosas
do seu oponente, Bolsonaro. Já o candidato pelo PSL, Jair Messias Bolsonaro, tem
eleitores que procuram uma melhoria econômica vista nas propostas inteligentes de
Paulo Guedes, que segue o lado econômico do liberalismo, além do sentimento de
raiva contra a corrupção e violência instalados no país.
Podemos afirmar que tanto Haddad quanto Bolsonaro são de péssima
escolha, o primeiro estando em um partido no qual a corrupção predomina sem
segredos, com propostas absurdas, como a criação de uma rede televisiva de
controle governamental e, provavelmente, com notícias favoráveis ao mesmo, o que
reflete uma manipulação escancarada debaixo dos nossos olhos. Do outro, temos
Bolsonaro que, em variadas ocasiões, propagou o ódio com falas preconceituosas, o
que serve de oportunidade para seus seguidores mais extremos terem voz ativa na
homofobia, no racismo e na violência, além de apresentar conhecimento leigo nos
debates em conjunto com grande afobação e agressividade nos mesmos.
São nesses pontos que, cada vez mais, percebemos como a democracia, que
é tão aclamada pela maior parte da população, acaba se tornando frágil e
questionável. A maioria que se intitula democrática passa por cima da opinião das
minorias que, por muitas vezes, acabam sendo esmagadas sem possibilidade de
escolha. Tudo isso com o pretexto do que dizem ser justo para a melhoria de um
governo, este que precisa cada vez de menor poder sobre as decisões da

sociedade. E isso está explícito nas bolhas sociais, nas quais as pessoas se apoiam
por, muitas vezes, ter uma maior zona de conforto que permite a falta de confrontos
diretos sem a necessidade de construir uma opinião própria em momentos tão
críticos para o Brasil, momentos esses que as falsas informações estão inseridas
com violência e em grande quantidade nos mais variados meios de informação.
Por causa das campanhas políticas cheias de mentiras que entram na cabeça
dos eleitores sem maiores problemas, um dos mais primitivos sentimentos é ativado
no ser humano: a competição, onde fomos programados para sentir prazer quando
alguém repete nossas crenças, que, muitas vezes, sequer sabemos como viemos a
tê-las, e isso reflete, geralmente, nas opiniões debatidas no atual período eleitoral,
que ninguém quer sair perdendo e a violência se torna presente contra quem não
segue um mesmo padrão de ideologias.
A escolha deve ser feita cuidadosamente, e, na situação que a sociedade se
encontra atualmente, manter em segredo seu candidato pode ser uma das melhores
formas de conviver em segurança, fator que acaba com a liberdade de expressão,
apesar dos anos de luta para conseguir fazer com que ela tivesse mais voz.

Anna Clara Lôbo
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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