crônicas

Saudades de um aconchego

 

A vida é essa: nascer, crescer e ir embora de casa. Apesar de sonharmos com a liberdade e de morar longe dos pais, da família, tudo torna-se mais difícil depois da tão aguardada partida. Nesse momento, toda nossa dependência vai se transformando em independência. Apesar de ser algo óbvio, você só perceberá quando estiver sozinho, passando por inúmeros problemas e pensando em como irá resolvê-los. Não me entenda mal, sei que todas essas dificuldades são um mal necessário, mas imagine passar por tudo isso sem ter um abraço para te confortar depois de um dia em que tudo pareceu ter dado errado. Não falo de qualquer acalento, e sim do abraço de mãe, aquele que lhe faz sentir em casa.

É sempre aquela mesma história: saímos do lar dos nossos pais, da nossa cidade, em busca de melhores oportunidades, daquela faculdade que irá nos oferecer um ensino melhor; de uma cidade que será mais evoluída que a nossa, vamos atrás dos nossos sonhos. Sempre tive vontade de morar fora, de conhecer novas pessoas, novos lugares, novos desafios. Não sei vocês, mas eu romantizei toda essa ideia e simplesmente ignorei as partes que seriam difíceis, e pensei que quando chegasse a hora, saberia lidar. Na verdade, até que é possível nos adaptar a toda essa situação, afinal, é necessário. Mas, existe algo com que precisamos conviver todos os dias e que nunca será fácil: a saudade.

A saudade será sempre o calcanhar de Aquiles das pessoas que resolveram morar distantes de sua família. Saudades do seu quarto, das mordomias, da comida sempre pronta à mesa, da roupa lavada, saudades das brigas, dos amigos, e dos lugares que você costumava frequentar. Porém, especialmente, saudades de um aconchego, do amor, do carinho, do afeto, do cuidado, da segurança e do zelo. Um lugar que você visita e sente que os dias passados lá não serão suficientes, é um mata e prolonga saudades que não tem fim.

Apesar das dificuldades, nunca pensei em desistir. Tudo é um aprendizado, principalmente o de estar sozinho, de se autoconhecer, das reflexões que você faz sobre a sua vivência. Acredito que o ser humano precisa disso, de desafios, de algo que lhe tire da sua área de conforto. Nem tudo é tão ruim, já que depois de passar por essa experiência, você verá o quanto irá crescer, amadurecer, tonar-se uma pessoa mais forte e preparada para enfrentar os baques da vida. Há também momentos de felicidade durante esse trajeto e que serão o seu alento para conseguir suportar as adversidades. Em tempos de infinitas indagações e medo, é imprescindível olhar com uma nova perspectiva de que amanhã será um dia melhor.

Morar fora é fazer-se presente mesmo estando distante. É reconhecer que o seu lar será onde você estiver, longe ou perto, desde que esteja sempre cercado de pessoas boas, sejam seus amigos ou não, sem esquecer jamais das suas raízes, no que lhe transformou na pessoa que você é hoje. É seguir seu caminho, e não olhar para trás. É buscar algo que você mesmo não compreende, mas que sabe da necessidade de continuar para alcançar o inesperado ou o esperado. Pode até ser solitário percorrer essa trajetória, no entanto, é preciso saber que você estará presente no coração e na memória da sua família, não importa onde esteja.

Por Fernanda Nogueira
Produto laboratorial da disciplina Gêneros Jornalísticos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB


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